AP Photo/Hans Pennink
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Governador de Nova York será investigado por assédio sexual

Anúncio da procuradora-geral do Estado vem depois de ela se pronunciar contra uma proposta de Andrew Cuomo para que um ex-juiz federal assumisse a investigação

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2021 | 21h39

NOVA YORK - O escritório do governador de Nova York, Andrew Cuomo, liberou nesta segunda-feira, 1°, a procuradora-geral do Estado, Letitia James, para investigar as acusações de assédio sexual feita por duas mulheres contra o político democrata.

Letitia anunciou que recebeu uma carta oficial dando à sua equipe a autoridade para avançar com uma investigação independente. "Esta não é uma responsabilidade que levaremos de qualquer jeito, pois as alegações de assédio sexual devem ser sempre levadas a sério. Como indicado na carta, ao final da revisão, as conclusões serão divulgadas em um relatório público", afirmou a procuradora em comunicado

O anúncio vem depois que Letitia se pronunciou contra uma proposta de Cuomo, que havia sugerido que um ex-juiz federal assumisse a investigação, e destacou que a lei exige que seu gabinete trate de casos assim. O governador foi recentemente acusado por duas ex-assistentes, que afirmam que o político os assediou quando trabalharam com ele.

A primeira denúncia foi de Lindsey Boylan, uma ex-assessora de Cuomo e atual candidata a presidente do Condado de Manhattan, que alega ter sido assediada em várias ocasiões entre 2016 e 2018. Segundo ela, o governador chegou ao ponto de lhe dar um beijo não solicitado nos lábios.

Essas acusações foram acompanhadas neste fim de semana pelas de Charlotte Bennett, que foi assessora de política de saúde até novembro passado e disse ao jornal The New York Times que o governador lhe perguntou se ela era monógama e se ela já havia tido relações sexuais com homens mais velhos.

A ex-assessora, de 25 anos, denunciou que o governador, de 63, lhe disse que estava aberto a ter relações com mulheres de sua idade, o que ela interpretou como claras propostas para uma relação sexual.

"Entendi que o governador queria dormir comigo e me senti terrivelmente desconfortável e assustada. Eu me perguntei como eu ia sair disso e assumi que era o fim do meu trabalho", relatou Bennett ao jornal.

Até agora, Cuomo negou as acusações de assédio, mas neste domingo ele pediu desculpas publicamente, dizendo que "algumas coisas" que ele disse "poderiam ser mal interpretadas como um flerte indesejado".

O político detalhou ter o hábito de fazer piadas e comentários jocosos com seus funcionários, mas ponderou que agora está ciente de que, dada a sua posição, alguns deles podem ser muito pessoais ou insensíveis.

"Na medida em que alguém sentiu isso, lamento muito", desculpou-se em um comunicado, no qual o governador garantiu jamais ter tocado em alguém de maneira inadequada.

'Comportamento predatório'

Porém, nesta segunda-feira, Bennett salientou que Cuomo ainda não reconhece ou assume a responsabilidade por seu comportamento, o qual ela definiu como predatório, e convocou outras mulheres com experiências semelhantes com ele a se apresentarem.

As denúncias deixaram Cuomo em uma situação política complicada, com alguns integrantes de seu partido pedindo para ele ser investigado, enquanto outros querem que ele renuncie. 

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, não concordou com os comentários de Cuomo. "Isso não é um pedido de desculpas. Parece que ele está dizendo: 'Eu estava brincando'. O assédio sexual não é engraçado. É sério", criticou De Blasio, rival de longa data de Cuomo.

Uma membro de um grupo de parlamentares do Estado de Nova York que luta contra o assédio sexual classificou os comentários de Cuomo de "insultuosos". "Ele não assume nenhuma responsabilidade. Não há razão para pensar que ele não vai repetir esse comportamento", analisou Riya Pasarell, integrante desse grupo./EFE e AFP

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