CARLO ALLEGRI / POOL / AFP
CARLO ALLEGRI / POOL / AFP

Governador de NY, Andrew Cuomo renuncia após denúncias de assédio

Cuomo disse que sua renúncia entra em vigor em 14 dias; vice-governadora Kathy Hochul será empossada como primeira mulher governadora do Estado

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2021 | 13h18
Atualizado 10 de agosto de 2021 | 19h18

O governador de Nova York, Andrew Cuomo, anunciou que vai renunciar ao cargo nesta terça-feira, 10, sucumbindo a um crescente escândalo de assédio sexual que causou uma reviravolta na popularidade de um dos líderes mais conhecidos dos Estados Unidos.

Em um anúncio televisionado, o democrata de 63 anos negou enfaticamente ter sido intencionalmente desrespeitoso com qualquer mulher, mas disse que lutar contra o que chamou de "ataque politicamente motivado" contra ele, sujeitaria o Estado a meses de instabilidade.

"Eu não posso ser a causa disso", afirmou Cuomo. E completou: "A melhor maneira que posso ajudar agora é me afastar e deixar o governo voltar a governar".

Cuomo disse que sua renúncia entraria em vigor em 14 dias. A vice-governadora Kathy Hochul, também do Partido Democrata, será empossada para substituí-lo. Ela se tornará a primeira governadora mulher de Nova York.

O anúncio de Cuomo, um democrata com três mandatos seguidos como governador de Nova York, veio uma semana depois que um relatório do procurador-geral do Estado de Nova York concluiu que o governador assediou sexualmente ao menos 11 mulheres, incluindo atuais e ex-funcionárias do governo, com "toques indesejados" e fazendo comentários inadequados.

O relatório de 165 páginas também descobriu que Cuomo e seus assessores "retaliaram ilegalmente" pelo menos uma das mulheres por tornar suas denúncias públicas e “promover um ambiente de trabalho tóxico”.

O relatório pressionou Cuomo a renunciar, levando a novos apelos do presidente Joe Biden, um amigo de longa data do governador, e de outros líderes democratas que não haviam se manifestado até que as conclusões do relatório se tornassem públicas, deixando-o com poucos defensores.

Foi uma reviravolta na carreira política de Cuomo, que há cerca de um ano estava sendo saudado como um herói nacional por sua liderança em meio à pandemia de coronavírus.

As consequências do relatório deixaram o governador de NY cada vez mais isolado: sua assessora, Melissa DeRosa, renunciou após concluir que o governador não tinha como permanecer no cargo, de acordo com uma pessoa familiarizada com o caso relatou ao The New York Times.

No final, Cuomo seguiu o conselho que seus principais aliados vinham oferecendo: deixe o cargo voluntariamente.

Cuomo renunciou ao enfrentar o espectro da destituição forçada do cargo por meio de um impeachment e estava prestes a se tornar apenas o segundo governador a sofrer impeachment na história do Estado.

Após a divulgação do relatório, os líderes da Assembleia Estadual, que é controlada pelo seu partido, começaram a redigir artigos de impeachment e pareceram ter apoio suficiente para conseguir retirar Cuomo do cargo./ NYT e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.