Governador de NY confirma ligação de terrorista com o Estado Islâmico

Um bilhete pró-EI foi encontrado dentro da caminhonete usada no ataque que matou oito pessoas

O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2017 | 11h04

NOVA YORK - O autor do ataque terrorista de terça-feira  em Nova York, que deixou oito mortos, é ligado ao Estado Islâmico, mas se radicalizou nos Estados Unidos, revelou nesta quarta-feira (1o.) o governador Andrew Cuomo. O suspeito foi  identificado como o usbeque Sayfullo Saipov, de 29 anos, afirmou, em entrevista à CNN. , explicou o governador, acrescentando que não há indícios de outros planos de atentados.

+ Usbequistão diz que vai ajudar nas investigações do ataque

"É um covarde depravado associado ao EI e que se radicalizou dentro dos Estados Unidos", disse o governador. "Foi depois de sua chegada aos Estados Unidos que começou a se informar sobre o EI e o islã radical"

Ao ser questionado sobre as postagens nas rede sociais do presidente Donald Trump, Cuomo afirmou que "esse não é um momento de fazer política e nem um momento para semear o ódio". O mandatário americano informou na madrugada desta quarta-feira, 1º, ter ordenado o reforço do programa de controle de estrangeiros que tentam entrar no país, horas após o primeiro ataque com vítimas fatais na cidade de Nova York desde os atentados de 11 de setembro de 2001.

"Acabo de ordenar a Departamento de Segurança Interna o reforço do nosso programa de revisão já extremo", tuitou o presidente. "Ser politicamente correto é bom, mas não para estes casos!"

Sayfullo Saipov teria chegado aos Estados Unidos em 2010 e é residente de Nova Jersey (leste), onde alugou a caminhonete utilizada no atentado. Ele tem visto de residência permanente (green card) e trabalhava como motorista do Uber, de acordo com o New York Times, acrescentando que já estava "sob o radar" da polícia.

O presidente do Usbequistão, Chavkat Mirzioyev, prometeu nesta quarta-feira "usar todas as suas forças e recursos para ajudar na investigação sobre este ato terrorista", e ofereceu pêsames ao presidente americano e às famílias das vítimas.

Ex-república soviética de maioria muçulmana, o Usbequistão tem centenas de cidadãos lutando em grupos "jihadistas" no Iraque e na Síria, segundo estimativas dos serviços de segurança russos.

+ Região do ataque em Nova York tinha sido revitalizada

O ataque

O ataque aconteceu a poucas quadras do memorial do 11 de setembro de 2001 em Manhattan, perto de escolas e de um parque, enquanto crianças e seus pais se preparavam para festejar o Halloween. Às 15h05 (17h05 de Brasília), o agressor jogou sua caminhonete branca contra ciclistas e pedestres em uma ciclovia às margens do rio Hudson e gritou "Allahu Akbar" (Deus é grande, em árabe) antes de ser baleado pela polícia.

Atingido no abdômen, foi submetido a uma cirurgia e deve sobreviver, de acordo com a imprensa. Após a colisão, o homem saiu do veículo com duas armas, uma de pressão (chumbinho) e outra de paintball, informou a polícia de Nova York, que afirmou não procurar outros suspeitos.

Logo após o ataque, policiais, bombeiros e ambulâncias chegaram ao local e bloquearam várias ruas, enquanto helicópteros sobrevoavam o sul de Manhattan. John Williams, de 22 anos, que chegou ao local pouco depois do agressor ser baleado, descreveu "um forte odor de pólvora".

"Tinha um homem ferido no chão. Parecia ter recebido um tiro. Estava cercado por policiais e paramédicos", relatou à AFP.

"Vi que dois veículos, um branco e um micro-ônibus, se chocaram. Dois homens queriam brigar na rua. Um tinha duas pistolas, uma em cada mão. No final, chegou a polícia, e escutamos três tiros", declarou Manuel Calle, 46 anos, que trabalha em um restaurante próximo.

Vítimas

A Chancelaria argentina informou que o ataque matou cinco argentinos, "da cidade de Rosario" (300 km ao norte de Buenos Aires), que integravam "um grupo de amigos que celebrava o 30° aniversário de formatura da Escola Politécnica desta cidade".

O governo de Mauricio Macri declarou que está prestando assistência "às famílias neste terrível momento de profunda dor, compartilhada por todos os argentinos".

Uma mulher belga também faleceu, enquanto três cidadãos desse país ficaram feridos, de acordo com Bruxelas. Um alemão também está entre os feridos.

Um desfile de Halloween foi realizado como planejado, mas sob forte esquema de segurança, e Cuomo ordenou iluminar o World Trade Center com as cores vermelha, branca e azul da bandeira americana "em homenagem à liberdade e à democracia".

Este foi o primeiro ato vinculado ao terrorismo em Nova York desde a explosão de uma bomba artesanal, em setembro de 2016, em Chelsea, que deixou 31 feridos leves. O afegão de origem americana Ahmad Khan Rahimi foi condenado por terrorismo no início deste mês. / AFP

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