Alex Wong / Getty Images North America /AFP
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Governador de Porto Rico renuncia após duas semanas de protestos

Saída de Ricardo Rosselló ocorre após o vazamento de mensagens nas quais ele profere comentários ofensivos contra jornalistas, mulheres, homossexuais, políticos e artistas

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2019 | 02h19
Atualizado 26 de julho de 2019 | 16h34

SAN JUAN - O governador de Porto Rico, Ricardo Rosselló, anunciou sua renúncia na noite de quarta-feira, 24, após duas semanas de protestos pelo vazamento de comentários ofensivos do político sobre mulheres, homossexuais e vítimas do furacão Maria.

"Após escutar as críticas e falar com minha família (...) tomei a seguinte decisão com desprendimento: hoje lhes anuncio que renunciarei ao cargo de governador na sexta-feira, dia 2 de agosto, às 17h (local)", disse Rosselló em um vídeo divulgado no Facebook.

Pouco depois, houve gritaria entre a multidão que protestava diante de La Fortaleza, sede de governo em San Juan. "Acredito que Porto Rico continuará unido e caminhando em frente como sempre fez", declarou o governador. "Espero que esta decisão sirva como um apelo à reconciliação cidadã." Rosselló informou que será substituído temporariamente pela secretária de JustiçaWanda Vázquez.

Os porto-riquenhos aguardavam a notícia durante toda o dia, em meio aos rumores sobre a iminente renúncia e enquanto um comitê de juristas recomendava a abertura de um processo de impeachment contra Rosselló. O presidente da Câmara dos DeputadosJohnny Méndez, havia convocado uma sessão legislativa extraordinária para esta quinta-feira, 25, visando iniciar o processo de destituição.

Rosselló, de 40 anos, enfrentava uma crise política em razão do chamado "chatgate", vazamento de uma conversa na plataforma de mensagens Telegram, há duas semanas, na qual ele e outros 11 homens compartilharam comentários considerados ofensivos contra jornalistas, homossexuais e mulheres. Em um deles, um colaborador de Rosselló se referiu com ironia às vítimas do furacão María, que deixou quase três mil mortos.

No dia 10 de julho, o Ministério Público pediu a prisão de seis funcionários acusados de desviar mais de US$ 15 milhões de fundos federais para recuperação do território após o pior furacão em um século. Os protestos recentes contaram com a participação de músicos porto-riquenhos, como Ricky Martin, René Pérez, Bad Bunny e Daddy Yankee. Ricky Martin foi uma das pessoas ridicularizadas nas conversar do chat por sua orientação sexual, que ele tornou pública em 2010. / AFP

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