Governador do Texas rebate acusação de abuso de poder

O governador do Texas, o republicano Rick Perry, se defendeu de acusações contra a conduta de seu governo e rebateu que o indiciamento decidido por um grande júri ontem representa um abuso de poder. Perry se tornou, na sexta-feira, o primeiro governador do Texas a ser indiciado desde 1917.

AE, Estadão Conteúdo

16 de agosto de 2014 | 17h21

Em coletiva de imprensa neste sábado, Perry disse que o indiciamento representa "a farsa de um julgamento". "Esse indiciamento equivale a nada menos que abuso de poder e eu não irei permitir que isso aconteça", disse. Ele acrescentou que irá contestar a acusação.

Na noite de ontem, Perry foi indiciado por um grande júri sob a acusação de abuso de poder ao vetar o financiamento a uma unidade que investiga crimes em cargos públicos. Um grande júri é um painel convocado por um tribunal e formado por cidadãos para decidir se o governo deve indiciar um suspeito pela acusação de algum crime.

No ano passado, o governador do Texas ameaçou vetar o financiamento de US$ 7,5 milhões do Estado à Unidade de Integridade Pública enquanto a advogada distrital do Condado de Travis, Rosemary Lehmberg, permanecer no comando. Essa unidade investiga denúncias de corrupção.

Lehmberg, uma democrata, foi presa em abril de 2013 sob a acusação de dirigir sob o efeito de álcool. Na ocasião, o teor de álcool no sangue da advogada estava três vezes acima do permitido legalmente para dirigir.

Ela serviu aproximadamente metade da pena de 45 dias na prisão, mas permaneceu no cargo, apesar da pressão de Perry para que ela se afastasse. Um outro grande júri foi convocado na cidade de Austin, de maioria democrata, e decidiu que ela não deveria ser retirada do cargo.

David L. Botsford, advogado de defesa contratado por Perry, disse estar ultrajado e estarrecido com o indiciamento. "Isso claramente representa um abuso político do sistema judicial e não há base legal para essa decisão", afirmou. Segundo Botsford, os fatos mostram que as ações de Perry seguiram as leis e estão de acordo com as autoridades de um governador.

A conselheira geral de Perry, Marry Anne Wiley, também defendeu as atitudes do governador como dentro da lei e de acordo com a Constituição. Vários aliados do governador foram convocados a testemunhar no grande júri, em Austin, mas ele não testemunhou.

O grande júri indiciou Perry sob a acusação de abuso das funções oficiais, crime que prevê uma punição de cinco a 99 anos de prisão, e coerção a funcionário público, o que prevê uma pena de dois a 10 anos.

A ala mais à esquerda do grupo "Texans for Public Justice" entrou com a reclamação contra o governador por coerção porque ele ameaçou usar o poder de, de fato, utilizar o poder de veto. Isso foi visto como uma tentativa de pressionar Lehmberg, eleita em um processo legal, a se demitir.

Perry, no poder desde 2000, é o governador há mais tempo no cargo na história do Texas. Ele não tentará a reeleição em novembro, mas é um potencial candidato à corrida presidencial de 2016. Fonte: Associated Press e Dow Jones Newswires.

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