Governador mexicano deixa o cargo por crise de jovens desaparecidos

Líder do Estado de Guerrero afirmou que prioridade do próximo mandatário deve ser localizar os estudantes e punir responsáveis

O Estado de S. Paulo

24 de outubro de 2014 | 11h11

CIDADE DO MÉXICO - O governador do Estado de Guerrero, onde em setembro 43 estudantes desapareceram nas mãos de policiais locais e narcotraficantes, anunciou nesta sexta-feira, 24, que deixará o cargo, respondendo a pressões de políticos e ativistas que o consideram incapaz de lidar com a onda de violência na região.

Ángel Aguirre, que governa o Estado com o maior índice de homicídios do país, disse que pedirá à Assembléia Estadual que aceite seu pedido de licença, uma forma de renúncia, já que para os cargos eletivos não podem ser formalizada a renúncia.

"Para favorecer um clima político que dê atenção e busque a solução para essas prioridades, no dia de hoje decidi solicitar licença à honorável Assembléia Estadual", disse Aguirre em uma entrevista na capital de Guerrero, Chilpancingo.

Agora, explicou o governador, o Congresso deverá escolher "responsavelmente" a pessoa que continuará à frente do governo de Guerrero até o fim do mandato em 2015. "A prioridade tem que ser continuar com as buscas dos jovens desaparecidos e garantir que os responsáveis por estas graves violações dos direitos humanos sejam punidos."

A saída de Aguirre do poder era uma das principais reivindicações dos parentes dos 43 alunos da Escola Normal de Ayotzinapa, que desapareceram no dia 26 de setembro em Iguala.

Nos últimos dias, as mobilizações no Estado ficaram mais violentas com ataques aos edifícios do governo estadual, do Congresso, das instalações do partido do governador e das prefeituras de Chilpancingo e Iguala. Estudantes, professores e organizações sociais realizaram grandes protestos pedindo ações das autoridades.

O caso dos estudantes explicitou as falhas na estratégia de segurança do governo do presidente Enrique Peña Nieto. Nos ataques do dia 26 morreram seis pessoas, 25 ficaram feridas e 43 estudantes desapareceram depois de serem detidos por policiais e entregues ao cartel Guerreros Unidos, segundo declarações de várias testemunhas.

A Procuradoria-Geral do México acusou o prefeito de Iguala, José Luis Abarca, e a mulher dele de darem a ordem para o desaparecimento dos estudantes. Os dois são considerados os maiores operadores de Guerreros Unidos.

Aguirre, de 58 anos, governava Guerrero desde 2011 pelo Partido da Revolução Democrática (PRB), de oposição. O governista Partido Revolucionário Institucional (PRI), assim como o oposicionista Partido da Ação Nacional (PAN), já haviam pedido a renúncia de Aguirre.

O governador disse estar "convencido que as características desses incidentes (ataques aos estudantes) obrigavam uma intervenção do Governo Federal no Estado". Aguirre afirmou que apresentará nesta sexta um relatório detalhado de todas as ações dele para o Congresso do Estado, o Legislativo federal, o ombudsman nacional e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. / EFE e REUTERS

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