Governador Valadares, aflita, busca informações

A Prefeitura de Governador Valadares, no Nordeste de Minas, considerada a cidade brasileira que mais tem emigrados nos Estados Unidos, proporcionalmente à sua população - são entre 30 e 40 mil, ou quase 20% da população total do município vivendo em diversos pontos daquele país -, recebeu centenas de telefonemas nos dois últimos dias.Segundo o secretário municipal de governo, Silvano Gomes, familiares e amigos de pessoas que moram e trabalham nos EUA, muitas delas de forma ilegal, buscavam desesperadamente informações sobre os emigrados, temendo que pudessem ter sido atingidos no atentado ao World Trade Center."Na terça-feira, enfrentamos sérias dificuldades para obter esses dados, em razão dos problemas de comunicação com os Estados Unidos e com órgãos oficiais que poderiam nos dar detalhes do que acontecia", disse Gomes.Nesta quarta-feira, no entanto, o contato com o consulado brasileiro em Nova York estava facilitado, graças a números de telefone disponibilizados pelo Itamaraty, e foram reduzidos os apelos à Prefeitura.Engraxate escapouSegundo a assessoria de imprensa da Administração municipal, até às 18h ainda não havia notícias na cidade de nenhum valadarense que estivesse ferido ou mesmo morto, em razão dos atentados. Ao contrário, eram cada vez mais freqüentes as histórias de moradores da cidade que ficavam aliviados ao receber notícias boas.Foi o caso de Maria Helena Alves, mãe de dois filhos e cujo marido, Francisco Alves, trabalha há 10 anos como engraxate em Nova York, justamente no saguão de uma das torres do WTC. "Vimos as cenas dos prédios em chamas na televisão e ficamos em pânico", disse ela. "Felizmente, por volta das 14h30 de terça-feira o Francisco ligou e disse que teve dificuldades para sair do prédio, que viu gente caindo e teve de passar por cima de escombros, mas que estava bem, sem ferimentos", contou.Maria Helena, que também já morou nos Estados Unidos, e Francisco, coincidentemente, estavam juntos no WTC em 1993, quando uma bomba explodiu na garagem do edifício. Os dois saíram ilesos, na época.ConsuladoEm Belo Horizonte, o Consulado Britânico, que funciona há 60 anos na capital, aumentou a partir desta quarta-feira as medidas de segurança para evitar os riscos de um atentado. Segundo o vice-cônsul, Rogério Pacheco, a atençao foi redobrada para, por exemplo, carros estacionados em frente à representação diplomática, na Zona Sul."Também estamos fazendo uma checagem mais rigorosa de correspondências, com cuidado especial para pacotes e embrulhos", disse, acrescentando que pessoas que visitam o consulado estão sendo obrigadas a se identificar na portaria.

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