REUTERS/Susana Vera
REUTERS/Susana Vera

Governadora de Madri renuncia após escândalos sobre furto em loja e diploma de mestrado

Cristina Cifuentes, do Partido Popular, é acusada de pegar produto de beleza sem pagar e de obter o título de mestre sem frequentar aulas e apresentar trabalhos que o justificassem; ela nega as acusações e se diz vítima de campanha de 'assédio e demolição'

O Estado de S.Paulo

25 Abril 2018 | 13h42

MADRI - A governadora de Madri, Cristina Cifuentes, renunciou nesta quarta-feira, 25, após ter se envolvido nas últimas semanas em um escândalo por não conseguir provar que fez um mestrado e ter sido acusada de furtar produtos de um supermercado em 2011.

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Em entrevista, Cristina comunicou a decisão de renunciar de maneira imediata e disse que pretendia fazer isso no dia 2 de maio, feriado em Madri, mas antecipou o anúncio após a divulgação de um vídeo sobre o furto em um supermercado que qualificou de "um erro involuntário".

Além disso, pesava contra ela uma moção de censura convocada pela oposição para retirá-la do cargo que devia ser tramitada no início de maio, e alguns dos seus próprios colegas de partido tinham criticado sua atitude. A renúncia de Cristina é o mais recente golpe a atingir o governista Partido Popular (PP) antes das eleições regionais do ano que vem.

Madri é um reduto tradicional do PP, partido de centro-direita do primeiro-ministro Mariano Rajoy, que está cada vez mais pressionado pelo partido pró-mercado Ciudadanos, que aparece à frente nas pesquisas enquanto a legenda do premiê enfrenta escândalos de corrupção e a crise política na Catalunha.

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Em um pronunciamento à imprensa no qual não aceitou perguntas, Cristina disse que foi vítima de uma campanha de "assédio e demolição", com base em "ataques pessoais" que foram além da luta política.

A governadora disse que renunciou ao cargo para evitar que "a esquerda radical" governe a região de Madri (6,4 milhões de habitantes) e "ponha em risco" a gestão feita pelo PP nos três anos de legislatura.

Um vídeo de um circuito fechado de televisão publicado pelo jornal OK Diario nesta quarta mostrou Cristina esvaziando a bolsa para um segurança em um supermercado depois de ser acusada de pegar um creme antirrugas.

Antes de renunciar, Cristina, de 53 anos, disse que furtar o creme de cerca de 40 euros foi um “erro involuntário”. Ela foi liberada depois de pagar por ele. “Cometi muitos erros, continuarei cometendo mais, mas minha vida inteira está sendo questionada com uma certa intenção”, afirmou ela durante a entrevista nesta quarta-feira.

O caso do Mestrado

Há um mês, a governadora de Madri estava em todos os veículos de imprensa após um jornal digital publicar irregularidades sobre um mestrado em Direito Público que fez em uma universidade da capital espanhola e do qual nunca foi encontrado o trabalho final que o justificasse. Além disso, alguns documentos tinham assinaturas falsificadas de professores.

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O site a acusou de não ter realizado nenhum trabalho nem ter feito nenhuma prova. Cristina negou qualquer infração ou tratamento preferencial, ameaçou processar a página e divulgou uma cópia de um documento universitário.

Investigado pelo Ministério Público, o escândalo levou a governadora madrilena a renunciar ao mestrado e serviu para expor outros casos similares de políticos com currículos falsificados, ou com títulos obtidos em condições vantajosas. / AFP, REUTERS e EFE

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