Governadores da oposição suspendem diálogo com De la Rúa

Os governadores do Partido Justicialista (mais conhecido como "Peronista"), da oposição, anunciaram que o diálogo com o governo do presidente Fernando de la Rúa está suspenso por tempo indeterminado.Em troca da retomada do diálogo governo-oposição, os governadores exigem o pagamento de US$ 225 milhões que a União deve às províncias para aplicação em programas de assistência social.A suspensão é um golpe para o governo, que nas últimas semanas tentava estabelecer um pacto nacional para tirar o país da recessão.Os governadores declararam que o diálogo será cortado a partir da primeira semana de julho, caso o pagamento não seja realizado. Desta forma, o governo não contaria mais com o apoio do peronismo para a aprovação das reformas econômicas pendentes no Congresso Nacional.No momento, o peronismo não possui uma liderança de fato. O ex-presidente Carlos Menem é o presidente formal do partido, mas mesmo antes de sua prisão já não controlava mais do que 20 deputados de um total de 99 do peronismo.Por esse motivo, o controle do partido está nas mãos dos diversos governadores, que dominam as principais e mais ricas províncias do país.Os governadores peronistas também expressaram sua preocupação pelo aumento do desemprego e a falta de soluções para a recessão.Segundo dados do próprio governo, a crise parece estar longe de terminar. O Instituto de Estatísticas e Censos (Indec) informou que as vendas em maio caíram 2% nos supermercados, enquanto nos shopping centers despencaram 12,8% em relação ao mesmo mês do ano passado.Em relação a abril deste ano, as vendas nos supermercados caíram 6,4%, enquanto nos shoppings caíram 7%.O setor da construção civil também foi abalado pela crise e apresentou uma queda de 5,7% em maio em relação a abril, e de 11% em comparação com o mesmo mês do ano passado.O ex-vice-ministro da Economia Carlos Rodríguez declarou que o problema argentino não está sendo causado pela falta de crédito, mas "pelo colapso do investimento".Rodríguez definiu a administração do ministro da Economia, Domingo Cavallo, como "keynesiana", além de "digna de um curandeiro neolítico".O ácido ex-vice-ministro, ao contrário do governo, que espera um crescimento do PIB de 2%, afirma que o ano terminará com uma queda de -1,5%. Mas não descartou uma queda ainda maior, já que, segundo ele, ?a situação político-econômica do segundo semestre é difícil de avaliar".

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