Angela Weiss / AFP
Angela Weiss / AFP

Governadores das duas costas americanas coordenam plano de reabertura pós-isolamento

Eles dizem não esperar necessariamente agir juntos ou criar uma solução única, mas enfatizam a necessidade de cooperação regional

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2020 | 18h43

NOVA YORK - Dois grupos de governadores, um na Costa Leste e outro na Costa Oeste, anunciaram nesta segunda-feira, 13, que estão formando grupos de trabalho regionais para planejar quando seria seguro começar a aliviar as restrições impostas pela pandemia de coronavírus para reabrir suas economias.

O anúncio foi feito horas depois de o presidente Donald Trump expressar impaciência para reabrir a economia, escrevendo em um post no Twitter que essa decisão é do presidente, não dos governadores de Estado. 

"Bem, considerando que tínhamos a responsabilidade de fechar o Estado", disse o governador Tom Wolf, da Pensilvânia, "acho que provavelmente temos a principal responsabilidade de abri-lo".

Wolf se juntou aos governadores de Connecticut, Delaware, New Jersey, Nova York e Rhode Island - na Costa Leste - em uma teleconferência, na qual concordaram em criar um comitê de funcionários de saúde pública e de desenvolvimento econômico para trabalharem juntos quando será o melhor momento de aliviar as restrições que eles adotaram para retardar a propagação do vírus. 

Eles disseram que não esperavam necessariamente agir juntos ou criar uma solução única, mas enfatizaram a necessidade de cooperação regional.

Na Costa Oeste, os governadores da Califórnia, Oregon e Washington também anunciaram nesta segunda-feira o que chamaram de Pacto dos Estados Ocidentais para trabalharem juntos em uma abordagem conjunta da reabertura de suas economias. 

Eles disseram que, embora cada Estado tivesse seu próprio plano específico, os governos elaborariam uma estratégia da Costa Oeste que incluiria como controlar o vírus no futuro. "Nossos Estados só serão eficazes trabalhando juntos", disseram eles em comunicado conjunto.

O governador Gavin Newsom, da Califórnia, disse que estava em discussão com os outros governadores para coordenar os esforços na Costa Oeste. Ele disse que na terça-feira, 14, descreveria o "pensamento na Califórnia" sobre a reabertura e prometeu que ele seria guiado por "fatos, evidências e ciência".

As ordens domésticas que mantiveram a grande maioria dos americanos dentro de casa foram emitidas Estado por Estado, por seus governadores. O presidente emitiu diretrizes não vinculativas pedindo uma pausa na vida diária até o fim do mês. 

Em alguns Estados que resistiram a essas medidas, incluindo a Flórida, o posicionamento do presidente ajudou a incentivar os governadores a agir. 

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Se o governo federal emitisse novas orientações dizendo que era seguro relaxar essas medidas ou traçar um caminho para a reabertura, muitos Estados provavelmente as seguiriam ou sentiriam pressão de seus cidadãos para relaxar as restrições.

Mas Trump, que disse na sexta-feira que a decisão de reabrir o país seria a maior que ele já tomou, disse hoje no Twitter que cabe ao presidente, não aos governadores, decidir quando reabrir os Estados.

“Uma decisão minha, em conjunto com os governadores e com a contribuição de outras pessoas, será tomada em breve!”, escreveu ele.

Mas vários governadores que falaram na segunda-feira deixaram claro que não pretendiam reabrir sua economia até que especialistas e dados científicos sugerissem que seria seguro fazê-lo. 

 

Eles notaram que seus destinos estavam limitados pela geografia. "A realidade é que esse vírus não se importa com as fronteiras estaduais e nossa resposta também não", disse a governadora Gina Raimondo, de Rhode Island.

"Podemos montar um sistema que permita que nosso pessoal volte ao trabalho", disse o governador Ned Lamont, de Connecticut. Mas ele alertou contra a reabertura muito cedo e o risco de uma segunda onda de infecções. 

No Texas, o governador Greg Abbott disse na segunda-feira que estava trabalhando em estreita colaboração com a Casa Branca em seu plano de reabrir a economia do Estado. Ele pediu uma abordagem escalonada na qual as empresas que tenham um impacto mínimo na propagação do vírus voltem a funcionar primeiro.

"Não será uma situação urgente", disse Abbott, que foi criticado por fazer do Texas um dos últimos Estados a emitir uma ordem de isolamento.

'Pior já passou'

Ainda nesta segunda-feira, Cuomo disse que o número de mortos conhecido em Nova York ultrapassou 10 mil, com 671 mortos no domingo. Quase 2 mil pessoas foram internadas no domingo - um número vasto, embora menor do que os registros anteriores - e houve menos intubações. 

Mas mesmo quando ele sugeriu que "o pior já passou", ele alertou que a situação pioraria se os nova-iorquinos se comportassem de forma imprudente.

Existem mais de 500 mil casos confirmados nos Estados Unidos e mais de 23 mil mortos, segundo um banco de dados do New York Times. Em um dos casos, um marinheiro designado para o porta-aviões Theodore Roosevelt morreu de complicações decorrentes do vírus, segundo oficiais da Marinha. Foi a primeira morte da tripulação do navio, que conta com mais de 4,8 mil militares. / NYT

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