Governadores pedem a renúncia de Pou

O governador da província de Buenos Aires, Carlos Ruckauf, pediu publicamente a renúncia do presidente do Banco Central da Argentina, Pedro Pou, e sugeriu que o ex-ministro da Economia e também ex-presidente do Banco Central Domingo Cavallo ocupe o lugar. Segundo investigações conduzidas por deputados do Parlamento argentino em conjunto com o Senado norte-americano, o BC teria ocultado informação sobre a lavagem de dinheiro em uma operação triangulada entre o desaparecido Banco República da Argentina, o Federal Bank das Bahamas e o Citibank de Nova York.Ruckauf, que desponta como principal líder do partido Justicialista (também conhecido como "Peronista"), da oposição, afirmou que outros parlamentares peronistas também pensam que Pou deve ser removido. O ex-presidente Raúl Alfonsín, presidente da UCR, o partido de De la Rúa, também pediu a renúncia de Pou. Alfonsín foi acompanhado pelo prefeito de Buenos Aires, Aníbal Ibarra. No entanto, dentro do governo as opiniões contrárias sobre Pou são cautelosas, já que consideram que sua remoção poderia ser um sinal negativo para os suscetíveis mercados. Apesar disso segundo analistas, o governo também avalia o péssimo impacto que poderia ter na opinião pública outro grande escândalo de corrupção sem resolver. O impacto seria pior ainda tendo em vista que em menos de oito meses serão realizadas eleições parlamentares. Por outro lado, o governo tampouco pretende que Pou continue muito tempo em seu cargo, já que é persona non grata na Casa Rosada, a sede do poder presidencial: um decreto do ex-presidente Carlos Menem estabelece que o presidente do BC possui um mandato de seis anos cuja duração pode ultrapassar a troca de governos. O mandato de De la Rúa termina em 2003, enquanto que o de Pou vai até 2004. Ele somente pode ser retirado do cargo com um pedido da presidência que tenha a aprovação do Senado. Pou é o último funcionário de Menem ainda no poder. Pou, famoso por seu mau-humor e seus ombros eternamente cobertos de abundante caspa, cultiva um estilo discreto. O polêmico presidente do BC atacou a moeda argentina em diversas ocasiões, afirmando que o país deveria adotar o dólar como moeda e eliminar o peso. O governo não perdoou a última declaração do gênero que Pou fez, em plena crise econômica no ano passado, que aumentou o risco-país e acelerou as quedas da bolsa de valores portenha.

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