Anthony WALLACE / AFP
Anthony WALLACE / AFP

Governante de Hong Kong cede e diz que lei de extradição está 'morta'

Carrie Lam admitiu o 'total fracasso' de seu governo para levar adiante a legislação, que levou a uma série de protestos no território

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2019 | 23h52

HONG KONG - A governante de Hong Kong, Carrie Lam, cedeu às pressões da população e anunciou nesta quinta-feira que a lei de extradição, que provocou a maior crise política no território em décadas "estava morta", admitindo que o trabalho do governo sobre o projeto de lei foi "um total fracasso".

Ela não esclareceu se o projeto de lei estava sendo retirado oficialmente, mas deu a entender que o Legislativo não tinha intenção de levá-lo adiante.

A lei, que permitiria que pessoas em Hong Kong fossem extraditadas para a China para enfrentar julgamento, desencadeou uma série de protestos, muitas vezes reprimidos com violência, na ex-colônia britânica.

Lam anunciou a criação de um comitê independente para investigar a ação da polícia durante as manifestações.

Em 15 de junho, respondendo aos amplos protestos, Carrie Lam suspendeu o projeto de lei, uma medida que não foi capaz de apaziguar os críticos, que continuaram saindo às ruas contra a legislação e pedindo a renúncia da governante, assim como a retirada das acusações contra as pessoas detidas nos protestos das últimas semanas.

Em 1.º de julho, manifestantes invadiram o Conselho Legislativo (Parlamento) de Hong Kong, no aniversário da devolução da cidade ao controle chinês em 1997, aprofundando o caos na cidade.

Dezenas de pessoas entraram no edifício. Os manifestantes tinham a intenção de permanecer durante toda a madrugada, mas foram expulsos depois de quatro horas.

A polícia usou cassetetes e gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes nos arredores do Parlamento, que responderam atirando ovos. Aqueles que estavam do lado de dentro fugiram antes de a polícia entrar.

As manifestações refletem o temor dos moradores de Hong Kong ante a crescente influência do governo da China, com a ajuda dos líderes do mundo das finanças na cidade. Pequim nega interferência na autonomia do território.

Hong Kong foi transferida do Reino Unido para a China em 1997, mas o território ainda é administrado sob um acordo conhecido como "um país, dois sistemas".

Desta maneira, os habitantes do território desfrutam de direitos raramente vistos na China continental. Muitas pessoas, no entanto, sentem que lentamente Pequim vai deixando o acordo de lado.

A cada aniversário da devolução, ativistas locais organizam grandes manifestações para exigir direitos democráticos, incluindo a possibilidade de escolher o Executivo local por sufrágio universal. 

Em anos recentes, os ativistas conseguiram mobilizar grandes multidões - incluindo uma ocupação de dois meses em 2014 -, mas não conseguiram qualquer concessão importante por parte de Pequim. / REUTERS, AP, EFE e AFP

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.