Governista recorreu a frase do papa

Candidato apoiado por Cristina reforça ideia de que adversário destruiria conquistas sociais

Rodrigo Cavalheiro com AFP, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2015 | 23h22

BUENOS AIRES - Usando um tom de campanha que desafiava a lei eleitoral, o candidato governista Daniel Scioli, de 58 anos, votou no início da manhã de ontem, em Tigre, cidade turística a 50 quilômetros de Buenos Aires. Diante de vários canais de TV, o representante do kirchnerismo pediu aos eleitores que votassem” em defesa de seu futuro”.

Como em cada comício feito ao longo da jornada eleitoral para a presidência, o peronista citou o papa Francisco para pedir um voto consciente. Na quarta-feira, o pontífice pediu consciência aos argentinos ao votar. “Vocês já sabem o que eu penso”, acrescentou o pontífice argentino. A frase foi usada nos últimos dias de campanha governista interpretada como um apoio, já que Jorge Bergoglio pertencia à ala conservador do peronismo.

Cercado mais por jornalistas que por eleitores, o ex-piloto de lancha de competição – que perdeu o braço direito em uma corrida em 1989 – fez brincadeiras com a letra de um tango, ao afirmar que havia ficado “mano a mano” com seu adversário. Alguns militantes que compareceram ao local de votação gritavam “se sente, se sente, Scioli presidente”.

Comentando o dia ensolarado, que na argentina costuma ser chamado “dia peronista”, Scioli celebrou que a votação fosse celebrada em um “dia pero...”. Ele cortou a palavra para não infringir a lei eleitoral, mas adotou um tom claro de campanha em seguida.

“Escolha o caminho da estabilidade social, econômica e política. Pensem em seu salário, em seu trabalho”, disse, recomendando em seguida “o voto no seguro, no confiável, o voto para manter o que há que manter”, afirmou.

Parte importante da campanha de Scioli no segundo turno teve como base as insinuações de que, se eleito, o rival conservador destruiria as conquistas sociais dos anos kirchneristas. A campanha da coligação rival Cambiemos chegou a ironizar a situação espalhando pela internet pôsteres falsos e qualificando a propaganda governista como “campanha do medo”.

Duas horas depois, a presidente Cristina Kirchner adotou o mesmo tom ao votar em Río Gallegos, no sul do país, a 2,5 mil quilômetros de Buenos Aires. Às 14h30min, já haviam votado 31% dos 32 milhões de habilitados. Não havia denúncias graves de irregularidades no processo.

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