Governistas declaram vitória na Geórgia; oposição protesta

Movimento Nacional Unido clama-se vencedor nas eleições parlamentares e opositores denunciam fraude

Efe,

21 de maio de 2008 | 19h46

O governista Movimento Nacional Unido (MNU), do presidente Mikhail Saakashvili, se declarou nesta quarta-feira, 21, vencedor nas eleições parlamentares realizadas na Geórgia, enquanto que a oposição denunciou uma suposta fraude e pediu a seus seguidores que saiam às ruas para protestar. Segundo uma pesquisa de boca-de-urna divulgada após o fechamento das urnas hoje, o MNU obteve 63,2% dos votos, diante de 14,2% da Oposição Unificada (OU). As pesquisas apontam que os também opositores do Movimento Democrata Cristão e o Partido Trabalhista, que também pareciam ter possibilidades, obtiveram 9,1% e 5,8%. A oposição, que buscava a revanche por sua derrota nas eleições presidenciais de janeiro, quando foi eleito Saakashvili, rejeitou esses números e afirmou que foi ela que conseguiu maioria nas urnas. "Segundo nossos dados, a oposição venceu em todas as regiões da Geórgia", disse à imprensa David Gamkrelidze, chefe do quartel eleitoral da OU, que acusa Saakashvili de corrupção e autoritarismo. O líder da oposição, Levan Gachechiladze, convocou para ainda hoje, em Tbilisi, uma manifestação que, de acordo com ele, deve ter a participação de "até cem mil pessoas". O objetivo do protesto é denunciar a fraude e anunciar outros resultados da apuração. Gueorgui Jaindrava, outro dirigente da OU, denunciou "os abusos da polícia e das autoridades por todo o país" e assegurou que uma pesquisa telefônica de uma ONG constatou uma vantagem da oposição sobre o MNU de 34% contra 31%. "As eleições foram falsificadas. Não reconheceremos os resultados até que se realize uma apuração objetiva das cédulas na sede da Comissão Eleitoral Central com a presença de observadores internacionais e da imprensa", declarou o líder trabalhista, Shalva Natelashvili. Para o dirigente do Partido Republicano, David Usupashvili, "os resultados da pesquisa de boca-de-urna são falsos" e "o povo o vê tudo e tirará conclusões". David Bakradze, um dos dirigentes do MNU e número um de sua lista eleitoral, acusou a oposição de "tentar desestabilizar a situação" no país com seu protestos e "provocações". "Achamos que a OU não está interessada em eleições limpas e prepara-se para realizar o que tinha planejado de antemão: desestabilizar a situação", afirmou. Transparência Segundo um representante dos observadores da Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa, seu grupo não tinha detectado graves irregularidades no pleito. "Por enquanto, o processo eleitoral se desenvolve com tranqüilidade e em condições de transparência", disse o observador. O presidente Saakashvili, ao votar em Tbilisi, disse estar "convencido de que a Geórgia aprovará a democracia" e realizará o pleito de forma "transparente, pacífica e organizada". Ele ressaltou que a transparência das votações é importante tanto para os aliados ocidentais da Geórgia, que apóiam seu desejo de ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), como para seus adversários - em referência à Rússia que é acusada de apoiar as regiões separatistas da Abkházia e da Ossétia do Sul. A realização das eleições desta quarta foi manchada por informações sobre um tiroteio na fronteira com a Abkházia.O vice-ministro de Defesa da Geórgia, Batú Kutelia, explicou que com este tiroteio os separatistas tentavam impedir que os habitantes da região de Gali participassem das eleições.

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