Governistas lideram com folga eleição na África do Sul

Resultados preliminares apontam vitória de Zuma, mas partido não deve conseguir maioria de 2/3 no Parlamento

Agências internacionais,

23 de abril de 2009 | 11h15

O Congresso Nacional Africano, partido que governa a África do Sul desde o fim do apartheid, em 1994, lidera as apurações da eleição de quarta-feira, embora ainda possa registrar o seu pior resultado dos últimos 15 anos. O resultado final deve sair ainda nesta quinta-feira, 23, mas não há dúvidas de que o atual líder do CNA, Jacob Zuma, de 67 anos, será presidente. Mas muitos analistas acham que o partido pode não conseguir uma maioria de dois terços no Parlamento, o que lhe permite emendar a Constituição e reafirmar seu poder.

 

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Os resultados mostram que o CNA tem 66,07% dos votos, acabando com as esperanças do Cope, formado no final de 2008 por dissidentes do CNA, tem apenas 8% dos votos e ocupa a terceira posição. A Aliança Democrática, maior partido da oposição, aparece com 16,7%. O comparecimento às urnas foi estimado em 76%, no quarto pleito desde que a eleição de Nelson Mandela acabou com o regime do apartheid. O CNA continua hegemônico desde então, mas muitos sul-africanos agora se sentem frustrados com a corrupção, a pobreza e a criminalidade.

 

Se forem confirmadas as atuais porcentagens, o CNA não revalidaria a maioria que tinha no anterior Parlamento, onde dispunha de 279 membros da Assembleia, 69,75%. As suspeitas de corrupção contra Zuma e as acusações de que poderia reformar a Constituição para favorecer seu partido seriam, segundo os comentaristas locais, os fatores para essa baixa do partido governamental.

 

Em qualquer caso, Zuma irá nesta quinta a uma festa organizada por seu partido em Johanesburgo para comemorar a vitória, junto com seus aliados do Partido Comunista (SACP, em inglês) e da confederação sindical Cosatu. Em comunicado no qual convida todos os cidadãos para sua festa, o partido agradece "a milhões de sul-africanos que emitiram seu voto e deram ao CNA um renovado mandato para realizar os trabalhos prioritários indicados em seu programa", especialmente aos jovens, que afirma que tiveram uma grande participação.

 

Investidores internacionais torcem para que o CNA não consolide sua hegemonia, pois temem que Zuma ceda a aliados esquerdistas, para os quais a prolongada fase de crescimento do país não se refletiu no bem-estar da população. Zuma promete não alterar a atual política econômica, num momento em que o país corre o risco de viver sua primeira recessão em 17 anos. O ministro das Finanças, Trevor Manuel, está cotado para permanecer no cargo. Zuma também promete combater a criminalidade desenfreada, que ameaça macular a Copa do Mundo de 2010 no país.

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