Governistas pedem à Bolívia que não permita saída de senador

O partido oficialista boliviano Movimento ao Socialismo (MAS) pretende enviar um pedido formal ao governo de seu país para que o salvo-conduto que o senador Roger Pinto precisa para deixar a Bolívia e seguir para o Brasil não seja emitido. O político está abrigado na embaixada brasileira em La Paz, onde obteve asilo político, há mais de duas semanas, mas pode ser preso se deixar a representação.

LA PAZ, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2012 | 03h02

O deputado Roberto Rojas, líder do bloco governista da Câmara Baixa boliviana, afirmou ontem que o MAS quer fazer "um pedido oficial para que o poder Executivo, por meio da chancelaria, não dê o salvo-conduto ao senador".

"Em termos formais, a Bolívia não ratificou o convênio sobre o asilo político. Em termos formais, a Bolívia não é obrigada, como país, a aceitar uma decisão de um país estrangeiro", disse Adolfo Mendoza, senador do MAS.

"Estamos muito preocupados com a atitude do governo. Entendemos que o Brasil concedeu o asilo político (a Pinto) do alto de sua soberania, respeitando os direitos humanos e a tradição do direito internacional", afirmou ao Estado o senador Bernard Gutiérrez, da Convergência Nacional (CN) coalizão opositora ao governo de Evo Morales.

O parlamentar afirmou que "após atingir o status de asilado político, o cidadão nessa condição tem direito ao salvo-conduto que lhe garanta sair do país". Segundo Gutiérrez, "nem na época da ditadura do general Hugo Banzer (1971-1978) era tamanha a repressão". Ele lembrou que, após se abrigar na Embaixada do México em La Paz, no início da década de 70, "o escritor Ramón Rocha Monroy e pelo menos outros 30 perseguidos pelo regime" obtiveram o salvo-conduto do governo para deixar o país sem serem presos.

Para o deputado Luis Felipe Dorado, líder da bancada da CN na Câmara Baixa, "há muita intransigência na posição do governo" ao criticar o asilo político oferecido a Pinto pelo Brasil e "relutar" em garantir o salvo-conduto ao senador abrigado na representação brasileira em La Paz. "Exigimos do governo esse salvo-conduto. A maioria dos opositores desse país está respondendo a processos movidos pelo governo", disse, destancando que sua legenda entrou em contato com a Organização das Nações Unidas (ONU) para que a entidade internacional interceda a favor do salvo-conduto.

Parlamentar da CN pelo Departamento de Pando, Pinto responde a cerca de 20 processos - que o acusam de violações dos direitos humanos e desvios de fundos públicos - e alega perseguição política, afirmando que as suspeitas foram levantadas pelo governo boliviano. O senador alega que é perseguido por denunciar a proteção de esferas oficiais ao narcotráfico no país.

Na quinta-feira, o chanceler boliviano, David Choquehuanca, disse esperar que os documentos enviados a Brasília sobre os processos que Pinto responde na Bolívia façam o Planalto mudar de ideia quanto ao asilo. / AFP E EFE, COM GUILHERME RUSSO

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