Bulent Kilic/AFP
Bulent Kilic/AFP

Governistas vencem eleições na Turquia

Partido AK do premiê Erdogan continua com maioria no Parlamento

AP e Reuters, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2011 | 00h00

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, venceu as eleições parlamentares realizadas ontem na Turquia. Com 99% das urnas apuradas, os resultados contavam 50% dos votos para o Partido Justiça e Desenvolvimento (conhecido como AK, na sigla em turco), garantindo o terceiro mandato consecutivo à legenda.

O partido de Erdogan, porém, não obteve a maioria de dois terços do Parlamento e terá de buscar o apoio de outras legendas para fazer reformas econômicas e emendas na Constituição. Segundo cálculos com base na apuração, o AK obteve 325 assentos - 41 a menos do que necessitaria para a aprovar as mudanças na Constituição unilateralmente. Na gestão anterior, o partido governista tinha 331 das 550 cadeiras.

O principal grupo da oposição, o Partido Republicano do Povo, obteve 26% dos votos, seguido pelo Partido da Ação Nacional, com 13%.

"O povo nos deu uma mensagem para elaborarmos uma nova Constituição por meio de consenso e negociação. Discutiremos a nova Carta com os partidos de oposição", declarou Erdogan após a votação.

Milhares de partidários do premiê reuniram-se na noite de ontem diante da sede do AK na capital turca, Ancara, entoando canções de apoio ao governo e ostentando bandeiras da Turquia. Da varanda do edifício, Erdogan fez o discurso da vitória.

O premiê chamou a atenção para o clima de impunidade e caos político que prevaleceu por décadas na Turquia, que enfrentou vários golpes militares e, num esforço para entrar na União Europeia, tem desenvolvido sua democracia nos últimos anos. "A Turquia comandada por gangues é coisa do passado", afirmou o premiê.

Apesar das conquistas de seu governo, Erdogan é visto com ceticismo pela oposição e alguns analistas, que ressaltam a lentidão das reformas no país e indícios de um estilo de liderança autocrático. "Seremos humildes. Nunca demonstramos orgulho ou arrogância", disse Erdogan.

"Buscaremos consenso com a oposição principal, os partidos opositores que não estão no Parlamento, a mídia, as ONGs, os acadêmicos e qualquer um que tenha algo para dizer", disse o premiê, ao mencionar a Constituição que pretende promulgar.

Segundo a emissora turca NTV, 84,5% dos 50 milhões de eleitores do país compareceram às urnas. Pela primeira vez, os turcos depositaram seus votos em urnas transparentes. A medida foi aplicada para evitar fraudes. Na última votação, as urnas eram de madeira escura.

Na Província de Batman, de maioria curda, 34 pessoas foram detidas sob a acusação de tentar coagir eleitores a votar pelo Partido Paz e Democracia, legenda acusada de ter ligações com rebeldes curdos.

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