Governo Abe pode perder maioria no Senado hoje

Popularidade do premiê japonês foi abalada por gafes

Angela Perez, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2029 | 00h00

O partido governista pode perder sua maioria na Câmara Alta do Parlamento nas eleições de hoje no Japão, segundo analistas e pesquisas divulgadas na semana passada. Quando o primeiro-ministro Shinzo Abe assumiu o cargo, em setembro, a popularidade de seu gabinete era de 60%. Atualmente, após uma série de escândalos e gafes em seu governo, não passa de 30%. O Partido Liberal Democrático, de Abe, e seu parceiro de coalizão, o Partido Novo Komeito, precisam conquistar pelo menos 64 das 121 cadeiras que estão em disputa para manter a maioria na Câmara Alta. A coalizão governista tem atualmente 132 das 242 cadeiras do Senado. Segundo pesquisa do jornal Asahi, a coalizão deve obter no máximo 58 cadeiras. Apesar disso, Abe tem amplo apoio na Câmara Baixa para continuar no poder. "Estou totalmente confiante de que Abe não deixará o cargo, mesmo se seu partido perder a maioria na Câmara Alta", disse ao Estado Jim Auer, diretor do Centro EUA-Japão da Universidade Vanderbilt. Abe, de 52 anos, diz que uma vitória eleitoral permitiria a seu governo reformar a educação, revisar a Constituição e manter o crescimento da economia. Mas mesmo um resultado eleitoral negativo não deve provocar uma estagnação na agenda conservadora do primeiro-ministro. "A coalizão de Abe tem uma maioria de 70% na Câmara Baixa. Com uma maioria de dois terços, ele consegue aprovar qualquer legislação sem depender do Senado", explicou Auer. O governo tem enfrentado grandes problemas nos últimos meses. No dia 16, um forte terremoto deixou 11 mortos e mais de 900 feridos em Niigata, região central do Japão, e provocou um vazamento água radioativa na maior central nuclear do mundo. A rápida resposta à crise provocou um pequeno aumento na popularidade de Abe, que havia caído para 27% em meio aos escândalos em seu gabinete. Ele perdeu seu ministro da Reforma, que renunciou por causa de uma fraude financeira. O ministro da Agricultura enforcou-se por estar ligado a um escândalo de financiamento de partido. O da Saúde causou grande embaraço ao descrever as mulheres como "máquinas de fazer filhos". E o da Defesa renunciou após sugerir que os ataques atômicos dos EUA contra o Japão em 1945 foram justificáveis. Por fim, o chanceler japonês teve de desculpar-se por dizer recentemente que "até mesmo uma pessoa com Alzheimer poderia saber a diferença entre o arroz japonês e o chinês". O Alzheimer é uma doença cerebral incurável, que geralmente atinge os idosos. No Japão, 20% da população tem mais de 65 anos. Para Auer, o principal motivo da queda de popularidade de Abe foi a revelação de que o governo perdeu anos de registros sobre pedidos de pensão, afetando cerca de 50 milhões de pessoas. "O problema com o sistema de armazenamento de dados vinha ocorrendo havia muito tempo, mas Abe está sendo culpado, pois isso só foi descoberto agora", disse o especialista americano. Abe prometeu remodelar a Agência de Seguro Social, responsável pela perda de informações, e resolver a confusão. Mas não está claro se as promessas serão suficiente para acalmar os furiosos eleitores.

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