Governo acusa Cobos e Redrado de conspiração

Ganha velocidade a escalada da crise institucional na Argentina em torno da demissão, por decreto, do presidente do Banco Central (BC), Martín Redrado, e do uso de reservas internacionais para o pagamento da dívida pública em 2010. Depois de ignorar a lei que só permite a demissão do titular da autoridade monetária via Congresso, o governo agora acusa Redrado e o presidente do Senado e vice-presidente do país, Julio Cobos, de conspiração.

MARINA GUIMARÃES, Agencia Estado

08 de janeiro de 2010 | 13h49

"Redrado está tendo uma atitude francamente conspirativa, dialogando com a oposição", disse o líder governista no Senado, Miguel Angel Pichetto. Ele se referia à reunião que Redrado manteve com os líderes da União Cívica Radical (UCR), na quarta-feira, quando recebeu a notícia pela imprensa de que havia renunciado ao cargo. Para a Casa Rosada, a resistência de Redrado em apresentar a renúncia, apesar de ter sido demitido pela presidente Cristina Kirchner, é uma manobra da oposição.

O ministro chefe de Gabinete da Presidência, Aníbal Fernández, afirmou que quem está por trás da decisão de Redrado é o vice-presidente Julio Cobos. "O vice-presidente da nação se comporta de uma maneira que nunca vi acontecer o mesmo em nenhuma parte do mundo: sendo o cabeça da oposição, sendo o mais virulento da oposição e pretendendo ser candidato, o que está em seu direito, mas poderia sê-lo sem conspirar contra o governo", disparou o ministro.

Fernández disse que está em andamento uma manobra chamada de "operativo 125" para enfraquecer o governo. O título é uma alusão à Resolução 125, que previa o aumento das alíquotas dos impostos de exportações agrícolas. A medida, derrubada pelo voto de Minerva de Cobos, foi a primeira derrota parlamentar sofrida pelo governo Kirchner, em julho de 2008. Pela Constituição argentina, o vice-presidente do país acumula o cargo de presidente do Senado e, como tal, é o responsável por desempatar votações na Casa.

Eleições

Desde o episódio da "125", Cobos passou a ser um dos principais nomes da oposição para as eleições presidenciais de 2011. Ele anunciou sua candidatura à presidência no último fim de semana. Fernández deu a entender que Redrado se uniu a Cobos com objetivos eleitorais. "Vai ter uma foto de Redrado e Cobos dentro de um curtíssimo prazo", ironizou Fernández. Mais cedo, Redrado desmentiu qualquer intenção política. "Meu compromisso é técnico-profissional. Não faço política", afirmou ele, durante entrevista à imprensa.

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