Governo acusa oposição de tentar frustrar acordo de Darfur

A presidência sudanesa acusou neste sábado grupos opositores ao acordo de paz assinado com um grupo rebelde de Darfur, em Abuja, Nigéria, de tentar frustrar o tratado e de conspirar para assassinar um líder dessa facção, Minni Minnawi.Um comunicado assinado por um porta-voz da presidência e distribuído em Cartum acusa o Movimento para a Justiça e a Igualdade (JEM), um dos que não assinaram o acordo, e o Partido do Congresso Popular, liderado pelo islamita Hassan Turabi.O grupo de Minnawi, o Conselho Revolucionário de Libertação, é a principal formação do Movimento Sudanês de Libertação (SLM), o grupo insurgente mais importante da região de Darfur, no oeste do Sudão.Porta-vozes do Conselho Revolucionário de Libertação afirmaram que 40 mil combatentes desta facção, que constituem 80% da milícia rebelde armada em Darfur, deporão suas armas conforme o pacto de Abuja, assinado no dia 5.Outra facção do SLM e o JEM, um grupo rebelde menor, ficaram fora do acordo, pois consideram que o tratado não responde às aspirações dos habitantes de Darfur."Vários dirigentes do Partido do Congresso Popular se reuniram com líderes do JEM no exterior e decidiram incitar os comandantes militares do SLM a assassinar Minnawi e a aumentar as operações militares em Darfur para levar o acordo ao fracasso", afirma a nota.Anos de negociações Este acordo, promovido pela União Africana (UA), foi assinado após dois anos de negociações em Abuja para pôr fim à guerra de Darfur, que explodiu em 2003 e que causou mais de 200 mil mortos e dois milhões de refugiados e deslocados internos.Por meio deste acordo, as partes se comprometem a cumprir um cessar-fogo, enquanto a milícia árabe pró governamental Janjaweed, a que se atribuem numerosas atrocidades cometidas durante a guerra, será desarmada, e os rebeldes se integrarão a um Exército unificado.Dezenas de habitantes do acampamento de refugiados de Abul Shuk, próximo a Al Fasher, capital de Darfur, se manifestaram neste sábado contra o acordo de Abuja e jogaram pedras contra um dos veículos da missão da UA. Não há informações sobre vítimas.

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