Governo afegão acusa Otan de matar 6 civis em ataque

Forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) mataram seis civis durante uma operação realizada na madrugada de hoje no Afeganistão, segundo denúncias do governo local. A Otan contestou a acusação, alegando que só houve mortes de militantes. Centenas de pessoas realizaram hoje uma manifestação na capital provincial para protestar contra o ataque. Um funcionário disse que um manifestante morreu durante confrontos com a polícia.

AE-AP, Agencia Estado

08 de dezembro de 2009 | 15h49

Sete insurgentes foram mortos e quatro detidos após um ataque na província de Laghman contra o complexo de um líder militante responsável pela realização de vários ataques suicidas na região, informou a Otan em comunicado. Forças afegãs e internacionais foram recebidas a bala quando invadiram o complexo, dando início a um tiroteio.

Porém, um comunicado emitido pelo palácio presidencial informou que seis civis foram mortos durante o confronto, dentre eles uma mulher. Funcionários provinciais disseram que 12 pessoas foram mortas num confronto nas proximidades da capital provincial de Mehtar Lam, alguns dos quais eram civis, embora não especifique o número.

Protestos

Cerca de 400 pessoas realizaram uma manifestação em Mehtar Lam para protestar contra as mortes, carregando os corpos de algumas dos mortos, informou o porta-voz do governo provincial, Said Ahead Safi. Imagens da "Associated Press Television News" mostram grupos de homens carregaram os corpos, envolvidos em cobertores, em camas de campanha.

"Quem quer que fosse para o telhado de sua casa era morto. Alguns foram mortos dentro de suas casas", disse Ismail, um morador que forneceu apenas seu primeiro nome e que perdeu sete integrantes de sua família. "Todos os mortos eram moradores inocentes, agricultores. Os americanos mataram até nossas mulheres".

O protesto ficou violento quando os manifestantes tentaram entrar na cidade. Eles entraram em confronto com a polícia e um manifestante foi morto, disse Safi.

Ataques

Nos últimos meses, as forças internacionais prometeram ser mais cuidadosas e evitar a morte de civis, mas os insurgentes geralmente vivem entre os aldeões, fazendo com que fiquem vulneráveis durante os ataques noturnos. Alguns afegãos temem que a chegada dos 30 mil soldados adicionais norte-americanos resulte em mais violência e morte de civis.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, prometeu aos afegãos, durante visita ao país, hoje, que os EUA vão fazer tudo o que puder para manter os civis longe da linha de fogo. "Nossa principal prioridade continua a ser a segurança dos civis, disse ele durante entrevista coletiva conjunta concedida com o presidente afegão, Hamid Karzai.

Já a porta-voz da Otan, capitã Jane Campbell disse que "não há relatos operacionais que evidenciem as afirmações de vítimas civis, dentre elas mulheres e crianças, durante esta operação".

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