Erin Schaff / The New York Times
Erin Schaff / The New York Times

Governo afegão adia libertação de prisioneiros talibãs e acordo de paz se torna incerto

Autoridades dizem que receberam listas que precisam ser verificadas, o que 'vai levar tempo'; medida fazia parte de pacto assinado entre os EUA e os insurgentes

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2020 | 14h37

CABUL - A libertação gradual de 5 mil prisioneiros talibãs em troca de uma redução da violência, prevista para começar neste sábado, dia 14, foi "atrasada", informou o governo do Afeganistão, o que adia possíveis negociações entre as partes sobre o futuro do país.

"Recebemos as listas de prisioneiros a liberar. Estamos verificando as listas. Vai levar tempo", disse Javid Faisal, porta-voz do Conselho Nacional de Segurança do Afeganistão. "Queremos a paz, mas também queremos garantias que não voltarão a lutar", completou.

A libertação dos prisioneiros, em troca de mil integrantes das forças afegãs que estão sob poder dos insurgentes, é um dos pontos-chave do acordo assinado em 29 de fevereiro em Doha, entre Washington e os rebeldes, mas não ratificado pelo governo de Cabul.

Embora o presidente afegão, Ashraf Ghani, sempre tenha manifestado oposição à medida em nome da soberania nacional, ele assinou um decreto na quarta-feira, dia 11, que serviu de compromisso. 

Como um "gesto de boa vontade", Ghani propôs a libertação de 1,5 mil prisioneiros talebans a partir deste sábado, a um ritmo de quase 100 detentos por dia, com o objetivo de iniciar negociações com os insurgentes.

Os 3,5 mil detentos restantes seriam libertados  ao longo dos próximos meses, "sob a condição de que a violência diminuísse consideravelmente". 

Os insurgentes, no entanto, rejeitaram a oferta: um de seus porta-vozes afirmou que "os 5 mil prisioneiros devem ser libertados ao mesmo tempo". / AFP

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