Governo afegão interino tem imensa tarefa à frente

A tarefa à frente do novo governo do Afeganistão que toma posse neste sábado é imensa: o país é pobre, o banco estatal foi saqueado, os funcionários públicos não recebem há cinco meses e a maior parte da infra-estrutura foi destruída por anos de guerra.E a administração interina tem apenas seis meses para tentar colocar a nação em ruínas no caminho de uma paz duradoura e de um regime democrático.A pacífica transferência de poder - a primeira em décadas no Afeganistão - "será um grande dia para o Afeganistão, para o povo afegão e para os vizinhos do Afeganistão", disse, nesta sexta-feira, Ahmed Fawzi, porta-voz do enviado especial da ONU."Esperamos que haja uma paz duradoura", acrescentou.Mas afegãos comuns colocaram suas esperanças de paz na chegada, nesta quinta-feira, de soldados da força internacional de paz da Grã-Bretanha, que protegerão o início do renascimento do país.A chegada deles a Cabul marcou o início de uma missão internacional de seis meses, que recebeu o apoio unânime do Conselho de Segurança da ONU, para proteger o governo interino.Em Cabul, alguns líderes afegãos contestaram o mandato da força internacional. Alguns integrantes do governo interino disseram que os soldados de paz não terão permissão para usar força militar, desarmar combatentes ou interferir nos assuntos internos afegãos.O Conselho de Segurança, entretanto, autorizou o uso de "todas as medidas necessárias" para permitir que o novo governo e as próprias tropas de paz "operem num ambiente seguro".Cinqüenta e três fuzileiros navais britânicos chegaram à base aérea de Bagram, ao norte da capital, nesta quinta-feira, como parte da vanguarda de uma força que deve ser composta de 3.000 a 5.000 homens."Estamos aqui para ajudar a administração. Não estamos aqui brandindo armas em busca de briga", disse Richardson, porta-voz militar britânico em Cabul.Saudando os soldados de paz, a maioria dos moradores de Cabul quer que eles fiquem apenas o tempo necessário."Eles devem deixar o Afeganistão quando estivermos seguros da paz", disse Ghulam Dastigir Khan. "Não queremos que fiquem para sempre. Somos muçulmanos. Eles não são", afirmou Khan, um vendedor de cigarros que espera que os soldados ajudem a aumentar seus ganhos, de cerca de um dólar por dia.Enquanto isso, líderes de facções afegãs de todo o país começaram a chegar a Cabul para a cerimônia, neste sábado, de posse do governo interino de 30 integrantes liderado por Hamid Karzai, um líder tribal sulista pashtu que tem o apoio do rei exilado Mohammad Zaher Shah.Mas Karzai e seu gabinete enfrentarão uma batalha colossal. A economia foi destroçada por 23 anos de conflitos. Não existe dinheiro nos cofres do governo, nem para cobrir os gastos da cerimônia de juramento, quanto mais para pagar centenas de funcionários públicos que não recebem salários há cinco meses.O Taleban em fuga aparentemente saqueou o banco estatal, sumindo com milhões de dólares e, segundo alguns, com 40 bilhões de afeganes.Depois de mais de duas décadas de guerras, Karzai e seu gabinete têm a hercúlea tarefa de unir um país onde as lealdades são dadas a senhores da guerra, muitos dos quais têm exércitos privados e são heróis da guerra afegã contra os invasores soldados soviéticos.Enquanto isso, o paradeiro de Osama bin Laden, o suposto arquiteto dos atentados terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos, era desconhecido.O tempo cada vez mais frio e com mais neve complica a busca por combatentes da Al-Qaeda que sobreviveram à campanha de bombardeios aéreos dos EUA que esmagaram a defesa deles em Tora Bora.Cavernas e bunkers abandonados podem ter armadilhas com explosivos, e oficiais do Pentágono acreditam que alguns combatentes podem ainda estar na região, prontos para emboscar equipes de busca.Mas nas cavernas também podem estar corpos de lutadores da Al-Qaeda ou documentos úteis para as investigações sobre os atentados de 11 de setembro e outras ações terroristas contra interesses americanos.No outro lado da fronteira, no Paquistão, tropas paramilitares ainda buscam cinco combatentes da Al-Qaeda que escaparam enquanto eram transferidos para uma prisão. Eles estavam entre 156 árabes e outros estrangeiros capturados na última terça-feira quando fugiam da região de Tora Bora.Pelo menos 16 pessoas foram mortas na fuga e na busca que se seguiu, na inóspita região fronteiriça, entre elas sete guardas paquistaneses.Leia o especial

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