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Governo afegão negocia com rebeldes ligados ao Taleban

O presidente afegão Hamid Karzai se reuniu com representantes de um grupo insurgente ligado ao Taleban. A medida foi um passo na tentativa de reconciliação nacional, disse hoje o porta-voz presidencial Hamed Elmi, que não especificou quando a reunião com a delegação aconteceu, nem divulgou qualquer detalhe sobre o que foi discutido.

AE-AP, Agencia Estado

22 de março de 2010 | 17h19

Um integrante do movimento insurgente Hizb-i-Islami, liderado pelo ex-ministro Gulbuddin Hekmatyar, disse que a reunião aconteceu na manhã desta segunda-feira e que novas negociações são esperadas. "Eu posso confirmar que a delegação do Hizb-i-Islami chegou a Cabul com um plano e se reuniu com o presidente", disse Elmi.

O governo dos EUA declarou Hekmatyar um "terrorista global" em fevereiro de 2003, alegando que ele participou e deu apoio a atos terroristas realizados pela Al-Qaeda e pelo Taleban. A menos que essa designação seja alterada, ela pode complicar qualquer movimento dos Estados Unidos para assinar um acordo.

No entanto, conversar com o Taleban e com outros grupos insurgentes é uma iniciativa que está ganhando força no Afeganistão, ao mesmo tempo em que soldados dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) lutam para reverter as conquistas dos insurgentes. Hoje, a Otan informou que mais dois soldados foram mortos em explosões separadas no sul afegão, mas não disse de que países eram os dois militares.

Além de tentar se reconciliar com líderes insurgentes, o governo afegão está finalizando um plano para o uso de incentivos econômicos para convencer combatentes de baixo e médio escalões a deixarem a insurgência.

Reivindicações

O líder da delegação do movimento Hizb-i-Islami é Qutbudin Halal, que foi vice-primeiro-ministro no governo do presidente Burhanuddin Rabbani na década de 1990. Também faz parte do grupo o cunhado de Hekmatyar. Representantes do grupo, cujos combatentes operam no leste e norte do país, disseram que a delegação levou um plano de 15 pontos e que pede a retirada de todas as tropas estrangeiras do país no prazo de seis meses, a partir de julho, um ano antes de o presidente Barack Obama iniciar a saída das forças norte-americanas do Afeganistão.

O plano também pede que o atual Parlamento afegão continue no cargo até dezembro. Depois disso, o Parlamento seria substituído por um governo interino, ou shura, que realizaria eleições locais e nacionais no prazo de um ano. Uma nova Constituição seria escrita, fundindo a atual com uma anterior.

"Combatentes estrangeiros não permanecerão no Afeganistão após a retirada das tropas estrangeiras", segundo uma versão do plano enviada por e-mail por um integrante do Hizb-i-Islami para a agência de notícias Associated Press. O porta-voz-chefe de Karzai, Waheed Omar, disse que a delegação havia apresentado o plano mas "nós ainda não o estudamos".

"O presidente vai estudar o conteúdo, mas não estamos numa posição de poder comentar o conteúdo que eles forneceram", disse Omar. Harun Zarghun, porta-voz-chefe do Hizb-i-Islami, disse que a delegação também espera se reunir com líderes do Taleban no Afeganistão. A embaixada dos Estados Unidos, porém, disse que não haverá tais reuniões com funcionários norte-americanos.

Baixas

Dois soldados da (Otan), um deles britânico, foram mortos por bombas no sul do Afeganistão nesta segunda-feira, informou a Aliança Atlântica, elevando a 128 o número de soldados estrangeiros mortos no país neste ano.

As baixas ocorreram em dois incidentes separados. O Ministério da Defesa do Reino Unido informou que o soldado britânico foi morto na província de Helmand, elevando a 31 o número de soldados britânicos mortos no Afeganistão neste ano.

Um porta-voz da Força de Assistência de Segurança Internacional (Isaf, na sigla em inglês) confirmou que o britânico foi um dos dois soldados mortos, mas se recusou a informar a nacionalidade do outro soldado que morreu.

No total, 276 soldados britânicos foram mortos desde que as operações militares começaram no Afeganistão em 2001. Com informações da Dow Jones.

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