KARIM JAAFAR/ AFP
KARIM JAAFAR/ AFP

Taleban toma Herat e Kandahar e governo afegão sugere partilha de poder para conter ofensiva

Termos da proposta, que ainda não foi confirmada oficialmente por Cabul, ainda são uma incógnita, assim como resposta do grupo extremista

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2021 | 12h30
Atualizado 13 de agosto de 2021 | 14h00

CABUL - O grupo radical islâmico Taleban conseguiu ontem outra importante vitória militar ao capturar Herat e Kandahar, duas das cidades mais importantes do Afeganistão. Diante da rapidez do avanço taleban, o governo central em Cabul propôs um acordo de partilha de poder em troca do fim da operação militar. Com forças do Taleban a 150 km da capital, o Pentágono pretende iniciar no máximo até amanhã a retirada de diplomatas americanos da embaixada em Cabul. 

Segundo uma fonte do governo afegão, a proposta para dividir o comando do país foi apresentada aos mediadores do Catar, onde ambos os lados se reúnem para negociações de paz. A informação também foi noticiada pela Al-Jazeera e por uma série de veículos locais, mas os termos apresentados ainda não estão claros. O Taleban também não comentou a oferta.

Herat caiu após semanas de conflitos. “Tivemos que deixar a cidade para evitar 'mais destruição”, disse uma fonte militar afegã.

Após a retirada, os rebeldes hastearam sua bandeira no topo no quartel policial da cidade. Não houve resistência.

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“O inimigo fugiu. Dezenas de veículos militares, armas e munições caíram nas mãos dos rebeldes”, afirmou Zabihullah Mujahid, porta-voz do Taleban.

Nas últimas semanas, Herat foi palco de intensos combates entre insurgentes e o Exército, apoiado pelas milícias de Ismail Khan, um conhecido senhor de guerra local. O Taleban já havia tomado grande parte da província, inclusive a passagem fronteiriça de Islam Wala, um importante ponto de troca comercial com o Irã.

Em outra importante vitória militar, o Taleban capturou Ghazni, que fica na rota entre Kandahar – a capital cultural do país – e Cabul. Com Kandahar também em mãos rebeldes, a ofensiva sobre Cabul torna-se iminente. Há tropas taleban a 150 km da capital. 

A rapidez da ofensiva preocupa os Estados Unidos. Os serviços de Inteligência americanos estimam que o grupo extremista poderá cercar Cabul entre 30 e 60 dias e tomar a cidade em três meses, mas a dificuldade de resistência do governo central pode tornar essa previsão obsoleta. 

A situação fluida, no entanto, fez o Pentágono montar uma operação para retirar diplomatas e civis de Cabul. 

A operação envolve três batalhões de infantaria e cerca de 3 mil fuzileiros navais. O trabalho diplomático será mantido, apesar da equipe reduzida, afirmou o porta-voz do Departamento de Estado americano, Ned Price.

A Embaixada americana em Cabul tem cerca de 4 mil funcionários. O número de civis é desconhecido. Price disse a repórteres em Washington que a retirada, que inclui cerca de 1.400 cidadãos americanos, ocorreria nos próximos dias. As medidas indicam que o governo Biden tem dúvidas sobre a capacidade do governo afegão de fornecer segurança diplomática suficiente na capital.

Pela manhã, a embaixada enviou o último de uma série de alertas alarmantes, instando os americanos a deixar o Afeganistão imediatamente usando as opções de voos comerciais disponíveis.

Os Estados Unidos continuam a apoiar os militares afegãos com ataques aéreos limitados, mas eles não fizeram uma diferença estratégica até agora e estão programados para terminar quando os EUA encerrarem formalmente seu papel na guerra em 31 de agosto.

O presidente americano, Joe Biden, poderia continuar os ataques aéreos além dessa data, mas dada sua posição firme sobre o fim da intervenção americana no Afeganistão, que já dura quase 20 anos isso parece improvável. / AP, AFP e NYT

 

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