Governo ajuda cidade sitiada pelas FARC

Os recentes ataques rebeldes deixaram intransitáveis as estradas que ligam a localidade de Florencia ao resto do país. Também não há luz elétrica nem serviço telefônico. Nas prateleiras dos armazéns, escasseiam verduras, frutas e açúcar.Para apoiar os esforços que visam aliviar esta situação, meia dúzia de ministros de Estado chegaram nesta sexta-feira a Forencia, no sul do país, protegidos por policiais fortemente armados e helicópteros com artilharia.SabotagemMais do que qualquer outro lugar, Florencia sentiu o peso da resposta da guerrilha à decisão do presidente Andrés Pastrana de romper as conversações de paz e fechar a zona de distensão, em 20 de fevereiro. Desde então, os rebeldes promoveram sabotagens nos arredores da cidade, localizada a três horas de automóvel da antiga zona de distensão, 380 quilômetros a sudoeste de Bogotá. Porras renunciaO general Alvaro Porras, comandante da Brigada com sede em Florencia, assumiu a responsabilidade por não evitar os ataques e apresentou sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira à noite. "Vocês sabem que lutar contra o terrorismo não é fácil", disse Porras em uma entrevista pelo rádio hoje. No entanto, ele assegurou que o país pode ganhar a guerra contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que vêm atacando a infra-estrutura nacional. "Não estamos perdendo a guerra contra o terrorismo", disse. "Afinal, a Colômbia tem que seguir adiante, mas, enquanto isso, eles estão destruindo a economia e fazendo a população sofrer". EscassezOs rebeldes dinamitaram as pontes que ligam Florencia ao resto da Colômbia e queimaram veículos nas estradas. Nos últimos oito dias, os caminhoneiros não se atreveram a empreender viagens, disse o prefeito Alvaro Pacheco. Pacheco afirmou que o combustível usado pelos geradores de energia está ficando escasso, incluindo o dos hospitais. Esses geradores também alimentam restaurantes, lojas e as casas dos que têm dinheiro para consegui-los. De noite, usam-se velas.?Fome e desolação"Eles querem deixar a população em meio à fome e desolação", disse Pablo Adriana Muñoz, governador do departamento (estado) de Caquetá.Os rebeldes também enfrentaram tropas oficiais a poucos quilômetros da cidade. Helicópteros têm aterrissado no aeroporto de Florencia trazendo soldados feridos, onde os esperam ambulâncias e os observam os atemorizados passageiros. MedoO medo também se apoderou da população, que teme ataques da guerrilha à cidade, onde várias vezes as FARC colocaram bombas. "Eu os estou mandando para casa porque a situação está se deteriorando, e tenho trabalho para fazer", disse o capitão Manuel Muñoz, que enviou sua mulher e seu filho de 15 meses em um pequeno avião da Força Aérea com destino a Bogotá. Embora sem açúcar nem verduras e frutas frescas, a cidade enfrenta a calamidade com as prateleiras de seu comércio repletas de enlatados e das bananas e alguns tipos de tubérculos que crescem nos arredores. Para aliviar a escassez, as autoridades fizeram uma remessa de víveres nesta sexta-feira para Florencia por via aérea.

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