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Governo americano aturdido com os hackers russos

Em vez de mirar em centrais nucleares, redes de eletricidade ou no sistema financeiro, a guerra digital vestiu uma roupagem mais sutil

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2016 | 03h00

Foram descobertas as digitais do mesmo grupo de hackers, o Fancy Bear, na invasão de computadores do Partido Democrata, no ataque à Agência Mundial Antidoping e no vazamento das mensagens em que o general Colin Powell diz que considera Donald Trump uma “desgraça nacional”, mas preferiria não ter de votar em Hillary Clinton. O Fancy Bear é suspeito de espionar para o governo russo. “A inteligência russa está invadindo computadores de autoridades, num esforço de manipular o resultado da eleição presidencial”, escreve o analista Joshua Foust. Em vez de mirar em centrais nucleares, redes de eletricidade ou no sistema financeiro, a guerra digital vestiu uma roupagem mais sutil. Tornou-se guerra de informação. Entre as armas russas, diz Foust, está a tradicional disseminação de notícias falsas, tomadas como “perspectiva alternativa” por jornalistas. Mas os e-mails vazados são ainda mais eficazes, pois verdadeiros. “Ninguém na imprensa dá bola se uma agência de inteligência hostil os alimenta com fofocas”, afirma Foust. “Estão todos felizes de cobrir mais um escândalo. A Rússia encontrou um calcanhar de Aquiles.”

Pensilvânia e Colorado decidem a eleição

Sem usar pesquisas, o site PredictWise, do economista David Rothschild, tenta antever o resultado das eleições americanas seguindo apenas mercados de apostas – na última sexta-feira, as chances de Hillary estavam em 76%. Pensilvânia e Colorado – e não a Flórida – são os estados decisivos. “Em apenas 7% dos cenários, Hillary ganha na Pensilvânia e perde a eleição; só em 2%, ela perde o estado e ganha a eleição”, diz o economista. “Colorado é apenas um pouco menos decisivo, com 6% e 3%, respectivamente.” Seu modelo prevê que, se ganhar nos dois – chances respectivas, na sexta, de 89% e 86% –, Hillary soma 347 votos no Colégio Eleitoral.

O maior debate? Relativo…

O primeiro debate entre Hillary e Donald Trump foi o mais assistido da história em termos absolutos: 84 milhões de telespectadores só na televisão, pouco mais de um quarto dos americanos, segundo a Nielsen. Em termos relativos, fica em décimo-segundo lugar. O mais assistido foi o primeiro debate entre Ronald Reagan e Jimmy Carter, em 1980, que alcançou 36% da população.

Mais carbono na atmosfera

Pela primeira vez no mês de setembro, quando o nível de gás carbônico na atmosfera cai ao mínimo, ele ficou acima de 400 partes por milhão. Outubro ficará abaixo disso? “Quase impossível”, escreve Ralph Keeling, do Instituto Scripps de Oceanografia. “Parece seguro concluir que não veremos valores menores este ano – e não mais num futuro remoto.”

Fraude no terminal

O malasiano desempregado Raejali Buntut passou 18 dias na área de embarque do aeroporto Changi, em Cingapura. Depois de perder um voo da AirAsia para Kuala Lumpur, ele escaneou imagens da internet para falsificar 31 cartões de embarque digitais da Cathay Pacific e da Singapore Airlines. Carregados em seu celular, deram acesso a várias salas vips. Preso no último dia 9, ele pode ser condenado a até quatro anos por falsificação.

Vidas negras importam

Será lançado na Semana da Consciência Negra, em novembro, o Black Lives Matter Brasil, versão brasileira do movimento de protesto contra o racismo da polícia, apoiado nos Estados Unidos pelo presidente Barack Obama e por Hillary. “É um movimento para monitorar e denunciar o verdadeiro genocídio praticado por forças policiais contra jovens negros no Brasil”, diz José Vicente, reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares.

O revisionismo em tela

A atriz Rachel Weisz vive a historiadora Deborah Lipstadt no filme Denial. É uma dramatização do julgamento de 2000, em que o revisionista e neonazista David Irving acusava Deborah de calúnia, por ter denunciado como antissemita um de seus livros que negava o Holocausto. No julgamento, os advogados a obrigam a ficar em silêncio. A estratégia resulta numa vitória histórica.

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