Isac Nóbrega/PR
Isac Nóbrega/PR

Governo americano conta com interlocução de militares brasileiros na Venezuela

Crise no país vizinho deve ser tema de reunião entre Trump e Bolsonaro em Washington

Beatriz Bulla, Correspondente/WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2019 | 18h45

WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos conta com o trabalho dos militares brasileiros na interlocução com militares venezuelanos para aumentar a pressão contra o regime de Nicolás Maduro. A mensagem de um funcionário do alto escalão da Casa Branca, um dia antes do encontro entre o presidente Jair Bolsonaro e Donald Trump, é de que os militares brasileiros são vistos como “interlocutores importantes” com oficiais venezuelanos.

“Os militares brasileiros têm boa relação com militares venezuelanos, que podem se comunicar com eles”, afirmou o funcionário. Segundo ele, a interlocução pode fazer os venezuelanos não reprimirem civis que se rebelem contra Maduro e não “manter a usurpação de poder” do venezuelano. “Poderia ser uma mensagem poderosa”, disse a fonte, após reconhecer que a situação da Venezuela será um tema revelante no encontro entre Trump e Bolsonaro.

O Brasil foi um dos primeiros países a seguir os EUA e reconhecer Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional venezuelana, como presidente interino da Venezuela. O País também abriu uma base em Roraima para possibilitar a entrega de ajuda humanitária oferecida pela comunidade internacional, como EUA e Canadá, no país vizinho.

O governo Bolsonaro tem mostrado que está alinhado com o governo Trump na questão da Venezuela. Entretanto, o vice-presidente Hamilton Mourão já afirmou que o País não trabalha com a hipótese de uma ação militar na região, enquanto Trump faz questão de deixar a possibilidade em aberto. Ao enaltecer o papel dos militares no diálogo com venezuelanos, os EUA mostram o que esperam do Brasil a partir de agora nessa questão.

O mesmo funcionário do alto escalão afirmou ainda que o encontro entre Trump e Bolsonaro sela um momento “histórico” para a relação entre Brasil e Estados Unidos. “As relações EUA-Brasil sempre foram em cima do potencial do que poderia ser feito”, afirmou. “Desta vez é diferente”.

O governo americano não se compromete, entretando, com o endosso formal à candidatura do Brasil como membro da OCDE – algo perseguido pelo governo brasileiro, com apoio do ministro da Economia, Paulo Guedes. Os EUA querem passar a mensagem de que irão ajudar o Brasil a “atingir a meta” de conseguir a candidatura à OCDE, sem compromisso formal de quando isso aconteceria. “Saudamos as reformas econômicas e compromisso de superar problemas que o Brasil teve no passado para entrar na OCDE. Queremos ajudar o Brasil a atingir essa meta”, afirmou o funcionário da Casa Branca.

Para o governo americano, é um bom sinal que Bolsonaro tenha indicado na campanha eleitoral que queria aproximação e ser “melhor amigo” dos Estados Unidos, e que endosse críticas contra Cuba e Venzuela, assim como ao investimento chinês no Brasil. “Ele quebrou tabus históricos na América Latina”, afirma a fonte do governo, que diz que Trump acompanha de perto Bolsonaro por saber da comparação feita entre os dois presidentes. Bolsonaro era apresentado na imprensa estrangeira como “Trump tropical”.

Além de um aliado na questão da Venezuela, os EUA também esperam que Bolsonaro ajude a reduzir a influência da China na América Latina mesmo sabendo que os chineses são os principais parceiros comerciais do Brasil. “Compartilhamos as mesmas dificuldades e injustiças”, afirma fonte do governo americano.

 

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