Paul Ratje / AFP
Paul Ratje / AFP

Governo americano defende qualidade das prisões

Vice-presidente americano, Mike Pence, considerou exagerados na imprensa os relatos que comparavam os centros de acolhimento a “campos de concentração”; queixas de fome, frio e abandono são comuns entre imigrantes ilegais detidos nos EUA

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2020 | 09h23

Frio, fome e celas superlotadas são relatos comuns de imigrantes ilegais detidos nos EUA – não apenas brasileiros. No ano passado, o vice-presidente americano, Mike Pence, que visitou as prisões de imigrantes em McAllen, no Texas, também minimizou as condições dos detidos. Durante a visita, ao lado de jornalistas, os presos gritavam que estavam há 40 dias isolados, que passavam fome, frio e não escovavam os dentes. “Não é nenhuma surpresa”, disse Pence. “É um sistema que está saturado.”

Na semana passada, 53 brasileiros estavam na Casa do Migrante — centro católico que tem acolhido em Ciudad Juárez, a 4 quilômetros da fronteira com os EUA, quem tentou entrar em território americano. Eles são os primeiros alvos de uma medida adotada em janeiro pela Casa Branca: enviar brasileiros ilegais ao México. Até agora, este procedimento era reservado principalmente a centro-americanos, especialmente hondurenhos, salvadorenhos e guatemaltecos.

O vice-presidente americano considerou exagerados na imprensa os relatos que comparavam os centros de acolhimento a “campos de concentração”. “Enquanto ouvimos alguns democratas em Washington referindo-se às instalações alfandegárias e fronteiriças dos EUA como campos de concentração, o que vimos foi um centro que presta cuidados dos quais todos os americanos se orgulhariam.”

Na ocasião, Michael Banks, diretor do centro penitenciário de McAllen, garantiu que restaurantes locais enviavam comida aos imigrantes e eles recebiam três refeições diárias, incluindo suco e biscoitos.

Em julho, diante de uma saraivada de críticas – e muitos boatos –, Mark Morgan, diretor da agência de Alfândegas e Proteção das Fronteiras (CBP, na sigla em inglês), defendeu as ações para conter o que o governo americano chama de “crise de imigração”.

“Os funcionários do CBP não estão administrando campos de concentração, fazendo com que os presos bebam água do vaso sanitário ou negando acesso a escovas de dente. Isso simplesmente não é verdade”, afirmou Morgan, durante depoimento na Comissão de Segurança Interna do Senado. / WP e AFP

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