David Fernández / Efe
David Fernández / Efe

Governo argentino avança em reforma dos serviços de Inteligência

Kirchnerismo consegue maioria parlamentar em duas comissões no Senado; plenário da Casa debate projeto na próxima semana

O Estado de S. Paulo

05 de fevereiro de 2015 | 08h19


BUENOS AIRES - O kirchnerismo impôs sua maioria parlamentar em duas comissões do Senado da Argentina na quarta-feira 4 para conseguir o acordo necessário e avançar no trâmite de urgência da reforma dos serviços de Inteligência.

O partido governista e seus aliados, com maioria na Câmara alta, aceitaram algumas remodelações à proposta inicial após escutar integrantes do Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS) e o especialista em segurança Marcelo Saín.

O projeto, que será debatido na quinta-feira da próxima semana pelo plenário do Senado, estabelece a dissolução da atual Secretaria de Inteligência e sua substituição pela Agência Federal de Inteligência (AFI), que seria assumida pela mesma equipe.

A diferença está em que a AFI não teria competências para ordenar escutas telefônicas, responsabilidade que passaria a ser da Procuradoria-Geral, liderada por Alejandra Gils Carbó - questionada pela oposição por sua proximidade com a presidente Cristina Kirchner.

Segundo o projeto que recebeu sinal verde nas comissões, a nova AFI será a cabeça do Sistema de Inteligência Nacional e será responsável pela "obtenção, reunião, sistematização e análise da informação" sobre fatos "que afetem a defesa nacional e a segurança interior".

Durante a reunião das comissões, à qual a oposição não compareceu pelo segundo dia consecutivo, o titular do CELS, o governista Horacio Verbitsky, criticou o atraso na reforma dos serviços de Inteligência e lamentou que o tema se tramite de forma extraordinária no Congresso. "Eu acredito que é grave demais e sério demais para fazê-lo assim, às pressas", opinou.

A oposição insiste que o debate de urgência proposto pelo Executivo pretende distrair a atenção do escândalo provocado pela morte do promotor Alberto Nisman, que morreu em circunstâncias duvidosas após denunciar a presidente por suposto acobertamento de iranianos em um atentado contra a associação mutual israelita Amia, que deixou 85 mortos em 1994. /EFE

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