Governo argentino condena desaparecimento de testemunhas

O Governo argentino afirmou nesta sexta-feira, 29, que o recente desaparecimento de duas vítimas da repressão e testemunhas-chave na investigação dos crimes da última ditadura do país (1976-83) são graves atentados à política de defesa dos direitos humanos .O subsecretário de Direitos Humanos Rodolfo Mattarolo disse que o Governo de Néstor Kirchner está "muito preocupado" com o desaparecimento, desde a noite da quarta-feira, de Luis Gerez, que acusou o ex-comissário Luis Patti de tê-lo torturado em 1972, em uma delegacia de Escobar (45 quilômetros a noroeste de Buenos Aires)."Evidentemente, estamos diante de uma ofensiva organizada e muito contundente contra a política de direitos humanos de Kirchner, contra a política de luta contra a impunidade", afirmou Mattarolo.Gerez, de 51 anos, saiu na noite desta quarta-feira da casa de amigos. na cidade de Escobar, para comprar carne. Desde então, ninguém tem notícias de seu paradeiro.O pedreiro, que é um ativo militante da ala do Partido Justicialista (PJ) liderada por Kirchner, reconheceu Patti como um de seus torturadores, ao testemunhar em uma ação que investiga o assassinato, em 1976, de um de seus companheiros de militância, Gastón Gonçalves, na qual o ex-comissário também está envolvido.JulgamentoO caso se soma ao desaparecimento de outro pedreiro, Jorge Julio López, de 77 anos, que vem sendo procurado desde 18 de setembro, depois que testemunhou no julgamento do ex-comissário Miguel Etchecolatz, condenado à prisão perpétua por delitos cometidos durante a última ditadura militar.Mattarolo afirmou que as desaparições de López e Gerez são parte de uma "campanha de intimidação de juízes, advogados, vítimas e testemunhas" de crimes de lesa-humanidade cometidos na ditadura.Horas antes da divulgação da notícia do desaparecimento de Gerez, Kirchner afirmou em entrevista concedida à rádio das Mães da Praça de Maio que há "muitos setores" que desejam vê-lo fora do poder.Pouco depois de assumir a presidência em maio de 2003, Kirchner se comprometeu a abrir os arquivos oficiais, e impulsionou a anulação das "leis do perdão" por parte do Parlamento, em agosto de 2003.As leis de Obediência Devida e Ponto Final foram declaradas inconstitucionais em meados de 2005 pela Suprema Corte, que ainda deve se pronunciar sobre a legalidade dos indultos para os líderes da ditadura.Segundo dados oficiais, cerca de 18 mil pessoas desapareceram durante a ditadura argentina, embora os organismos de direitos humanos estimem que esse número chegue a 30 mil.

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