Jessica Rinaldi / Reuters
Jessica Rinaldi / Reuters

Governo argentino deve decidir hoje se Cristina se licencia do cargo após lesão

Kirchnerismo teme que ascensão de vice ao poder indique fraqueza política às vésperas de eleição

ARIEL PALACIOS / CORRESPONDENTE,

07 de outubro de 2013 | 09h03

BUENOS AIRES - O governo da Argentina deve definir nesta segunda-feira, 7, se o vice-presidente Amado Boudou substituirá a presidente Cristina Kirchner durante o mês de repouso recomendado por médicos em razão de um hematoma na cabeça. Até a noite de ontem, o núcleo duro do kirchnerismo discutia se a presidente se mantinha no cargo, a despeito do que diz a Constituição em caso de licença médica, ou se Boudou assumiria interinamente a presidência.

Uma terceira via seria uma solução intermediária, com a presidente assinando um decreto que autorizaria as decisões de Boudou para não indicar fraqueza política, em meio à reta final da campanha para as eleições legislativas do fim do mês.

Boudou - economista com fama de playboy e suspeito de uma série de escândalos de corrupção - não conta com força política própria e não é bem visto por parte do gabinete de ministros. Desde agosto a presidente - com baixa aprovação popular - havia reduzido sua presença nos palanques.

Espera-se também mais incertezas sobre o cenário econômico. Uma série de decisões sobre os credores privados, a inflação e a política de controle do dólar ficarão à espera de definições quando a presidente voltar à ativa. Também ficariam congeladas algumas mudanças ministeriais previstas para depois das eleições.

Dentro do governo deve ocorrer uma reacomodação informal dos espaços de poder, com mais influência para Carlos Zanini, conselheiro jurídico do casal Kirchner desde que governavam a província de Santa Cruz, um virtual chefe do gabinete de ministros. O filho de Cristina, Máximo também terá peso nas decisões do governo, embora não possua cargo formal algum. 

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