Governo argentino fará discurso duro sobre Malvinas

Ao contrário do que estava previsto, o presidente Néstor Kirchner não comandará nesta segunda-feira, 2, a principal cerimônia oficial que recordará os 25 anos da invasão argentina às ilhas Malvinas e que também homenageará os soldados mortos durante o conflito no arquipélago. A cerimônia, iniciada às 11h30 (horário local), acontece na cidade de Ushuaia, capital da província de Tierra del Fuego, no extremo sul do país.A previsão era que Kirchner lideraria a cerimônia para realizar um discurso de tom forte no qual exigiria do Reino Unido que aceitasse retomar o diálogo sobre a soberania das ilhas. O vice-presidente Daniel Scioli substituiu Kirchner na cerimônia.Os analistas políticos afirmam que Kirchner não foi à Ushuaia para evitar as manifestações dos professores das escolas públicas do sul do país, que há semanas estão em greve.O chanceler Jorge Taiana, presente ao evento em Ushuaia, declarou que a Argentina terá "firmeza" em sua reivindicação das Malvinas.Nas principais cidades do país, as associações de ex-combatentes realizarão marchas de protesto para reivindicar as ilhas Malvinas. A Igreja Católica prevê a realização de missas em memória dos mortos na guerra.Os veteranos também pedirão um aumento das pensões que recebem, além de um serviço específico de assistência psiquiátrica, já que uma parte substancial dos ex-soldados sofrem de profunda depressão e estresse pós-traumático desde o fim da guerra, há um quarto de século.ConflitoA disputa pela soberania do arquipélago é motivo de tensão entre os dois países desde que os laços diplomáticos foram retomados, em 1990.Nos últimos dias, o governo Kirchner deixou de lado a política de aproximação diplomática sutil exercida pelos governos civis desde o fim do regime militar em 1983 e passou a aplicar um estilo mais "duro" para reivindicar o arquipélago.Nos próximos meses o governo argentino pretende desferir uma intensa ofensiva na ONU e na Organização dos Estados Americanos (OEA) para pressionar Londres a sentar novamente à mesa de negociações.Em 2 de abril de 1982, a Junta Militar argentina decidiu ocupar as ilhas Malvinas, o que motivou uma guerra com o Reino Unido que terminou com a rendição da Argentina em 14 de junho daquele ano e deixou um saldo de mais de mil mortos.Matéria ampliada às 13h30 para acréscimo de informações

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