Governo argentino quer integrar cadeias produtivas

O novo governo da Argentina já deixou claro às autoridades brasileiras que pretende a integração das cadeias produtivas dentro do Mercosul. A afirmação é do embaixador José Botafogo Gonçalves, que assumiu nesta quarta-feira a embaixada do Brasil em Buenos Aires. Botafogo, que por cinco anos foi o principal negociador brasileiro junto ao Mercosul, apóia a integração e acredita que ela é a saída para a Argentina modernizar sua indústria. Com a sinalização do novo governo argentino, crescem as chances de Brasil e Argentina conduzirem juntos uma análise detalhada de como podem integrar-se as cadeias industriais dos dois países e, a partir desse estudo, propor formas para que os diferentes setores das duas economias possam trabalhar em conjunto. O embaixador afirmou que a desvalorização do peso argentino aumentou muito a capacidade de os dois países trabalharem em conjunto. O fim da paridade cambial na Argentina também tende a reduzir as rusgas comerciais entre os dois países, muito exaltadas pelo ex-ministro Domingo Cavallo, da economia argentina. O embaixador admitiu que o Brasil quer uma Argentina forte e está disposto a auxiliar o País. Mas afirmou que o Brasil não tem intenção de aceitar salvaguardas contra as suas exportações se elas não estiverem de completo acordo com as regras comerciais já definidas no bloco. "A preferência tarifária que existe no Mercosul é fundamental para o comércio brasileiro", justificou o embaixador. Ele lembrou que, durante a gestão Cavallo no Ministério da Economia, a Argentina tentava impor salvaguardas cambiais e não comerciais ao Brasil, o que motivou forte irritação por parte de Brasília, que discordou das demandas. Botafogo afirmou que as desavenças entre Brasil e Argentina, do ponto de vista comercial, são muito mais declaratórias do que quantitativas. Isso quer dizer que os conflitos sejam poucos, porém são ruidosos. Botafogo disse que o Brasil ainda não foi comunicado sobre qualquer decisão ou estudo do Ministério da Produção da Argentina sobre eventuais medidas protecionistas. Extra-oficialmente, o Ministério da Produção já admitiu estar estudando medidas para proteger setores da economia argentina que demandam alta utilização de mão-de-obra, como têxteis e calçados, áreas que afetariam diretamente o Brasil. Nesta sexta-feira, os chanceleres do Mercosul, mais Chile e Bolívia, se reúnem em Buenos Aires para preparar a próxima reunião de cúpula do bloco, que deve acontecer ainda neste mês. Segundo Botafogo, o encontro é político e servirá para demonstrar apoio ao novo governo argentino e ao novo modelo econômico. A reunião não deve tratar de assuntos ligados ao comércio. Os ministros fazem visita de cortesia ao presidente Eduardo Duhalde. Botafogo reiterou que as recentes mudanças políticas e econômicas na Argentina vão favorecer as relações bilaterais. Leia o especial

Agencia Estado,

10 Janeiro 2002 | 23h21

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