Governo argentino repudia documento sobre 30 anos de golpe

O governo argentino considerou neste sábado que os partidos de esquerda que elaboraram o documento final da celebração dos 30 anos do último golpe militar "se aproveitaram da dor dos argentinos". "Os ataques ao governo são sistemáticos, porque esses grupos precisam disso para poder sobreviver", disse o chefe de gabinete, Alberto Fernández, em referência ao texto que faz duras críticas à administração atual, lido na sexta-feira à noite na Praça de Maio após a manifestação realizada no Congresso Nacional. Em declarações à Rádio Del Prata, o alto funcionário afirmou que os partidos que redigiram o documento "deveriam sentir vergonha de dizer o que disseram, porque é um mau uso, um espantoso uso da dor dos argentinos". "A esquerda pretendeu ´fazer de bobo´ os que sofreram desta dor durante 30 anos e têm apoiado essa iniciativa com uma audácia inusitada", opinou o ministro do interior, Aníbal Fernández, em declarações à Rádio 10, de Buenos Aires. A leitura do texto motivou na sexta-feira à noite um confuso episódio sobre o final da grande mobilização: as Avós e Mães da Praça de Maio se retiraram em desacordo com o texto. O documento, além de repudiar o golpe da ditadura militar (1976-1983), questionou as políticas econômicas do governo de Néstor Kirchner. A manifestação, que, segundo os organizadores, foi acompanhada por 100 mil pessoas, foi organizada por 370 organizações de direitos humanos, sociais e partidos políticos com o objetivo de lembrar o golpe que deu origem à ditadura, período em que 30 mil pessoas desapareceram, segundo estimativas das entidades humanitárias. "As entidades de direitos humanos não participaram de toda a organização do ato. Não tínhamos lido o documento porque terminaram de redigi-lo no dia anterior", disse Marta Vázquez, integrante de Avós. Vázquez esclareceu na sexta-feira, sobre o incidente da Praça de Maio, que elas não estavam de acordo com o documento, que tinha sido lido minutos antes. O esclarecimento das Mães e Avós, que encabeçaram a manifestação, foi recebido pelo público com um forte aplauso dos presentes em apoio ao grupo de mulheres que há quase 30 anos lutam para encontrar os corpos de seus parentes. "Ontem, nossos filhos e familiares ficaram completamente esquecidos, foi o que sentimos" em relação ao conteúdo do documento, disse Vázquez. Nora Cortiñas, representante da "Mães da Praça de Maio - Linha Fundadora", disse que "havia gente com vontade de provocar". "Sempre há provocadores. Mas são pequenos grupos", indicou Cortiñas, destacando a participação dos argentinos na mobilização e no resto das atividades previstas para lembrar o golpe. Na mobilização participaram, segundo os organizadores, cerca de 100 mil pessoas, entre as quais se encontravam integrantes de 370 organismos de direitos humanos e partidos políticos, além de setores da sociedade em geral.

Agencia Estado,

25 Março 2006 | 15h59

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