Governo belga investiga espionagem financeira em empresa

A ministra da Justiça da Bélgica, Laurette Onkelinx, ordenou a abertura de uma dupla investigação sobre um suposto caso de espionagem financeira do Governo dos Estados Unidos sobre as transações da empresa SWIFT, com sede na Bélgica, segundo informou neste sábado, 24, a emissora de rádio "Bel-RTL".A ministra solicitou um relatório a respeito das operações para os serviços de Segurança do Estado e outro ao departamento federal responsável pela informação financeira (Cetif, sigla em francês).O Cetif realizará uma análise jurídica para comprovar que as atividades da SWIFT não violaram as leis belgas, que obrigam as instituições financeiras a prestar informações sobre qualquer operação suspeita de estar vinculada à lavagem de dinheiro ou ao financiamento de terrorismo.Onkelinx desconhecia o fato de que o Governo americano vigiava há vários anos as operações financeiras internacionais canalizadas através da SWIFT, informou hoje o Ministério da Justiça."A ministra não sabia, assim como o primeiro-ministro (Guy Verhofstadt). Só soube na sexta-feira, após a publicação de artigos na imprensa", disse o porta-voz de Onkelinx através de comunicado.RespostaFoi uma resposta à informação publicada hoje no jornal De Standaard, na qual se afirma que a ministra estava a par das atividades que a SWIFT realiza como parte do combate dos Estados Unidos ao terrorismo.A SWIFT ("Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication") é uma sociedade que desde 1977 oferece a 7.800 instituições financeiras de todo o mundo serviços de mensagem padronizados e sob total segurança, sem contar com fundos financeiros nem tramitar em conta bancária.A cada dia no mundo se registram cerca de 11 milhões de transferências em dinheiro, pagamentos, operações com divisas e títulos, cuja transmissão é codificada e submetida a rígidos procedimentos de autenticação.A SWIFT, que emprega cerca de 1.800 pessoas no mundo todo, está a cargo de quase todas as comunicações sobre essas transações financeiras internacionais.Ao contrário do Governo federal, o Banco Nacional da Bélgica (BNB) sabia que a SWIFT há anos disponibilizava informação sobre transferências internacionais entre instituições financeiras aos serviços americanos de combate ao terrorismo, segundo vários jornais belgas.Tanto o De Standaard como Het Volk e Het Nieuwsblad, publicaram que o BNB teria informado, de maneira não-oficial, sobre as atividades da SWIFT para o ministro das Finanças da Bélgica, Didier Reynders.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.