Governo Blair defende visita de Bush

O governo do primeiro-ministro Tony Blair defendeu nesta quarta-feira a visita que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, fará em breve à Grã-Bretanha e criticou o que qualificou como "modismo antiamericano" entre muitos manifestantes. O secretário britânico de Exterior, Jack Straw, disse que as pessoas têm o direito de protestar, mas questionou por que muitos dos manifestantes que pretendem protestar contra Bush não o fizeram contra o tirânico regime de Saddam Hussein. "O que me incomoda é esse modismo antiamericano solto no ar", reclamou Straw em entrevista à rádio BBC. "Acho que há mais pessoas protestando hoje contra os Estados Unidos e a forma como o governo Bush reagiu ao 11 de setembro de 2001 do que as que se manifestaram contra o brutal, torpe e terrível regime de Saddam Hussein." Bush e sua esposa, Laura, serão convidados da rainha Elizabeth II. Eles ficarão hospedados no Palácio de Buckingham entre os dias 18 e 21 de novembro. A viagem ocorre em tempos difíceis tanto para Blair quanto para Bush, que foram os principais aliados durante a invasão do Iraque e hoje recebem duras críticas pela persistente violência no Iraque e por não terem encontrado as armas de destruição em massa supostamente mantidas por Saddam Hussein e que foram apresentadas como principal justificativa para a guerra. Além disso, o estreito relacionamento entre Blair e Bush contraria boa parte dos parlamentares do Partido Trabalhista britânico que se opuseram à guerra. No início do ano, manifestações pacifistas reuniram centenas de milhares de pessoas na Inglaterra. A coalizão pacifista Parem a Guerra planeja reunir 60.000 pessoas no dia 20 de novembro em Londres para a manifestação "Contenham Bush". Enquanto isso, a Casa Branca e a Polícia Metropolitana de Londres parecem discordar com relação à amplitude de uma operação de segurança de custo estimado em 4 milhões de libras esterlinas (quase R$ 20 milhões) para proteger Bush e sua comitiva. O subdiretor da Autoridade Policial Metropolitana de Londres, Richard Barnes, disse nesta quarta-feira que uma linha clara de comando precisa ser estabelecida para garantir que a Scotland Yard, e não os americanos, seja responsável pela segurança durante a visita.

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