Governo Blair pede desculpas ao serviço secreto britânico

Pela primeira vez desde a invasão do Iraque em março, o chefe de Comunicação do governo britânico, Alastair Campbell, pediu desculpas por escrito à direção do MI6 (serviço secreto externo) por alterações feitas em seus relatórios, usados pelo primeiro-ministro Tony Blair para justificar a participação da Grã-Bretanha na guerra, ao lado dos Estados Unidos."Deixei claro ao responsável pelo relatório que eles (redatores do governo) não se ativeram aos parâmetros requeridos de exatidão", disse Campbell aos jornais Sunday Telegraph e Observer, referindo-se à carta enviada a sir Richard Dearlove, chefe do MI6.Ele indicou também a Dearlove que a interpretação e uso desses relatórios pelo governo será fiel a eles. Um dos relatórios, intitulado "Iraque: Sua Infra-estrutura de Ocultação, Mentira e Intimidação" e publicado em janeiro, inclui informação copiada da tese de um estudante americano, divulgada pela internet.Outro, publicado em setembro de 2002, assegura que o Iraque estava em condições de lançar armas químicas ou biológicas 45 minutos após ordem nesse sentido de Saddam Hussein - apesar das ressalvas do serviço secreto de que tal informação "carecia de credibilidade".Duas comissões parlamentares vão investigar as acusações de que o escritório de Blair "esquentou" o documento, com muita ênfase sobre os 45 minutos e adição de dados acadêmicos.Parlamentares da oposição conservadora não estão satisfeitos com a designação de comissões parlamentares, controladas pela maioria trabalhista do governo, e exigem uma investigação judicial independente."A credibilidade do governo e a credibilidade do primeiro-ministro estão em jogo porque agora ninguém acredita no que eles dizem", disse ontem o líder do Partido Conservador, Iain Duncan Smith. "Estou muito preocupado pela maneira com que gente como Alastair Campbell lidou com isso e manipulou", acrescentou em entrevista à BBC.Também ouvido pela emissora, o secretário do Tesouro, Gordon Brown, saiu em defesa do governo. "A história provará que Tony Blair adotou uma decisão correta e valente", disse ele, lembrando: "Todos os países, quando aprovaram a Resolução 1441 do Conselho de Segurança da ONU, entre eles França, Alemanha e Rússia, acreditavam que havia armas de destruição em massa nos arsenais iraquianos."Passadas 11 semanas e vistoriados 230 locais suspeitos no Iraque, as forças anglo-americanas não encontraram nenhuma arma química, biológica ou nuclear.Em Washington, o secretário de Estado americano, Colin Powell, rechaçou energicamente hoje as acusações de que os EUA tinham informações falsas em relação ao arsenal iraquiano.Ele criticou os meios de comunicação por "difundirem sem justificativa" versões sobre presumíveis relatórios falsos. Por fim, pediu paciência aos americanos. "Os iraquianos são grandes mestres em esconder segredos", concluiu ele.

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