Governo boliviano acusa oposição de tentar ´dividir´ o país

O governo do presidente boliviano, Evo Morales, acusou nesta terça-feira, 12, os líderes e governadores de quatro dos nove departamentos (equivalentes a Estados) do país de buscarem a "balcanização" da Bolívia. "Como já não podem vender a Bolívia, querem dividir a Bolívia", declarou nesta terça o presidente boliviano, numa entrevista coletiva na qual acusou também jornalistas e meios de comunicação de atacá-lo e ampliar a crise. Evo, no entanto, desmentiu rumores de que estaria a ponto de militarizar Santa Cruz e decretar um estado de sítio.O ministro Juan Ramón Quintana denunciou "a ação da direita suicida, que aposta na balcanização do país".No domingo à noite, governadores dos departamentos de Santa Cruz - o mais próspero do país -, Tarija, Beni e Pando fundaram a Junta de Autonomia Democrática da Bolívia (JADB) e convocaram manifestações para a sexta-feira para "deliberar a autonomia política e administrativa em relação ao poder central de La Paz". No dia seguinte, Evo conclamou as Forças Armadas à ação para manter a integridade territorial do país.A possível secessão de Santa Cruz sempre foi um tema sensível para os militares bolivianos e o comandante das Forças Armadas, general Wilfredo Vargas - a quem a oposição acusa de ser excessivamente parcial em favor do governo de Evo -, advertiu que os militares "estão prontos para qualquer contingência".Por seu lado, o presidente do Comitê Cívico Pró-Santa Cruz, Germán Antelo, reiterou que o movimento não é de secessão. "Maldito será o soldado que disparar contra o povo", disse Antelo.Mauricio Roca, presidente da Câmara Agropecuária do Oriente, que agrupa pequenos e grandes produtores, afirmou que "se as Forças Armadas estão dispostas a levar adiante um genocídio, que venham, pois as pessoas sairão às ruas para defenderem seu movimento".Lula X Chávez O chanceler boliviano, David Choquehuanca, revelou nesta terça que os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Venezuela, Hugo Chávez, apresentaram divergências durante a reunião de cúpula do Mercosul encerrada no fim de semana em Cochabamba. Segundo ele, Chávez queria debater a criação da secretaria-geral da Comunidade Sul-Americana de Nações, que acabou não sendo discutida. Lula sugeriu que o debate fosse incluído na agenda do próximo ano.

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