Governo boliviano ameaça processar adversários de referendo

O governo da Bolívia ameaçou naquarta-feira abrir processos judiciais contra autoridadeseleitorais que tentarem impedir o referendo revogatório do dia10 de agosto. Ao fazer a advertência, o vice-presidente Álvaro García,que também preside o Congresso, disse que os questionamentosjurídicos das autoridades eleitorais regionais não impedirão oreferendo, que o presidente Evo Morales considera essencialpara relançar a sua "revolução socialista". As urnas vão confirmar ou não a continuidade do mandato deMorales e dos governadores das nove regiões, quatro dos quaisoposicionistas. "Não há nada mais que debater, simplesmente é precisocumprir (a lei)", disse García a jornalistas, um dia depois detribunais eleitorais dos quatro Departamentos oposicionistasanunciarem um recurso de inconstitucionalidade contra oreferendo. García disse que esses tribunais querem "desconhecer umalei da República" e por isso "serão objeto de responsabilidadepenal por se opor à lei e à Constituição, e de responsabilidadecivil por dano econômico ao Estado." "Não vamos deixar na impunidade este ataque à democracia,ao Congresso e às leis. O Congresso Nacional não parará nem umminuto até impor sentença a pessoas que estão tentandodescumprir a lei", acrescentou García. Morales já havia criticado a oposição por tentar impedir oreferendo. Em conversa com intelectuais estrangeiros deesquerda no Palácio Quemado, sede do governo, o presidentehavia dito que esses grupos de direita são os responsáveis porgrande parte dos problemas bolivianos, porque "defendem ainjustiça e a desigualdade". "Não se pode entender que algumas instituições, em vez defortalecer a democracia, tenham isso sim que dar um golpe nademocracia, sobretudo dar um golpe no Congresso Nacional, e sópor servir a grupo ou ao resto, ao que restou doneoliberalismo, e não defendem as normas", queixou-se. Os intelectuais que participaram durante dois dias de umencontro em La Paz da Rede de Redes em Defesa da Humanidadedivulgaram uma declaração apoiando as mudanças promovidas porMorales na Bolívia e criticando o poder econômico e midiáticoainda em mãos "dos mesmos que submeteram a grande maioria dapopulação à pobreza, ao atraso e à discriminação". Entre os participantes do evento estiveram William RamseyClark, dos Estados Unidos, Pascual Serrano, da Espanha, FreiBetto, do Brasil, Ernesto Cardenal, da Nicarágua, Abel Prieto,de Cuba, Héctor Soto, da Venezuela, Andy Montañez, de PortoRico, e Hidelbrando Pérez, do Peru. (Reportagem adicional de Carlos Alberto Quiroga)

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