Governo brasileiro critica acusação do Irã contra Israel

O governo brasileiro condenou as acusações do Irã sobre Israel e o Ocidente e tenta se distanciar do comportamento de Teerã na Organização das Nações Unidas (ONU). Mas Brasília confirmou a primeira visita do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ao País no início de maio e garante que falará de cooperação na área econômica. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também tratará do incidente gerado pelo Irã na ONU em sua conversa com o iraniano.

JAMIL CHADE, Agencia Estado

21 de abril de 2009 | 19h12

Ontem, Ahmadinejad abriu a conferência das Nações Unidas contra o racismo com uma mensagem de ódio à Israel, questionando o Holocausto e atacando a "arrogância" do Ocidente. Os países europeus deixaram a sala em protesto. O Brasil permaneceu e, hoje, também criticou os europeus pela atitude. Bruxelas, o presidente americano Barack Obama e a ONU reagiram quase imediatamente aos comentários do iraniano. Hoje, no Dia de Memória ao Holocausto, o governo de Israel pediu que todos os judeus no mundo se unissem contra o discurso de Ahmadinejad.

O Brasil levou quase 24 horas para se pronunciar. Hoje, o governo decidiu reagir em um esforço coordenado para deixar clara sua posição. O Itamaraty emitiu um comunicado em Brasília e o ministro de Igualdade Racial, Edson Santos, que está em Genebra, convocou a imprensa para explicar a posição do Brasil. "Condenamos veementemente a posição do presidente do Irã", afirmou Santos. "Não condiz com a conferência, que era para a promoção da tolerância", disse.

O ministro ainda alertou que Ahmadinejad "não reconhece fatos históricos", em uma referência ao seu questionamento do Holocausto. Segundo Santos, embora o governo queira colaborar na área econômica com o Irã, "isso não vai impedir que o governo mostre sua insatisfação".

Ahmadinejad planeja chegar ao Brasil com mais de cem empresários e quer que a viagem tenha resultados nas áreas agrícolas e ainda de ciência e tecnologia. Outra área de interesse é o petróleo. O plano ainda depende de uma aprovação do governo brasileiro.

Em declarações ao Estado, o ministro de Petróleo do Irã, Gholam Nozari, afirmou que os investimentos apenas não são maiores nessa área porque americanos pressionaram a Petrobras a evitar contatos com o governo de Teerã. "Queremos muito um acordo com a Petrobras", afirmou o iraniano ao Estado.

Há dois meses, o chanceler Celso Amorim visitou o Irã e esteve com Ahmadinejad. O Brasil exporta cerca de US$ 2 bilhões ao país. Mas a visita do chanceler a Teerã causou na época uma polêmica com Israel, que criticou o governo Lula. Já o Irã quer multiplicar o fluxo comercial com o Brasil em cinco vezes.

Na nota, o Itamaraty evitou a palavra "condenação". "O governo brasileiro tomou conhecimento, com particular preocupação, do discurso do presidente iraniano que, entre outros aspectos, diminui a importância de acontecimentos trágicos e historicamente comprovados, como o Holocausto", afirma a nota. "O governo brasileiro considera que manifestações dessa natureza prejudicam o clima de diálogo e entendimento necessário ao tratamento internacional da questão da discriminação", afirma.

Segundo o Itamaraty, o governo "aproveitará a visita do Presidente Ahmadinejad, prevista para o dia 6 de maio, para reiterar ao governo iraniano suas opiniões sobre esses temas". Segundo Santos, Lula deve "reafirmar sua posição democrática".

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