Governo brasileiro critica execução de Saddan

O governo Luiz Inácio Lula da Silva manifestou-se nesta sexta contra à condenação à morte do ex-presidente do Iraque Saddan Hussein, confirmada no último dia 26 pela Corte Suprema de Apelação do país. Em nota oficial, o Itamaraty avalia que tanto o governo dos Estados Unidos quanto o do Iraque cometeram erros ao longo do processo.No texto oficial, o governo destacou que não há dúvidas sobre a brutalidade da administração ditatorial de Hussein, entre 1979 a 2003. Indiretamente, o texto alertou que a aplicação da pena capital não contribuirá para o entendimento entre as forças políticas do Iraque.Trecho do comunicado destaca que "neste momento particularmente difícil por que passa o Iraque, qualquer solução para a conjuntura de conflito e violência deve emanar do diálogo e do entendimento entre as forças políticas do país, bem como buscar a preservação da soberania e da integridade territorial iraquianas".Controvérsias A condenação de Hussein à morte foi confirmada no último dia 26 pela Corte Suprema e abriu uma controvérsia sobre a data da execução. A custódia de Hussein, que ainda mantém seu reduto de apoio entre os sunitas, passou na sexta dos Estados Unidos para o governo do Iraque, de maioria xiita, e deixou uma brecha para que o enforcamento seja apressado. Apesar do prazo de 30 dias concedido pela Corte Suprema para a aplicação da pena capital, autoridades iraquianas anunciaram às agências internacionais que a execução do ex-ditador se daria neste sábado. Ao se manifestar sobre o caso, o governo brasileiro não chegou a referir-se à pressa na execução na nota oficial. Preferiu ater-se aos valores contrários a tal condenação - banida do Código Penal brasileiro desde 1890 - e indicar a contrariedade do Brasil em relação às decisões tomadas por Washington na sua guerra contra o terrorismo internacional. O texto ressaltou que o "governo brasileiro esforçou-se até o último momento para encontrar solução pacífica para a questão iraquiana". Mencionou ainda que o presidente Lula chegou a tratar com vários líderes mundiais sobre as alternativas para evitar o conflito armado, iniciado em março de 2003, e o seu prolongamento. Entre seus interlocutores estavam o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Anann, e o Papa João Paulo II, falecido em abril de 2005. No comunicado oficial, governo reconheceu que o regime de Hussein "foi marcado por seguidos atos de violência contra a população de seu país e pelo brutal cerceamento das liberdades". Como exemplo foi citado o assassinato de 148 xiitas da cidade de Dujail, em 1982, exatamente a acusação que levou Hussein a julgamento. Entretanto, a nota questiona se realmente o Iraque teria armas de destruição em massa. "Independentemente da natureza ditatorial do regime iraquiano", a razão alegada pelos Estados Unidos para invadir o Iraque - a existência de armas de destruição em massa - jamais foi comprovada. Também acentuou que a deposição de Saddam Hussein não decorreu de uma ação militar autorizada pelo "único órgão multilateral com legitimidade para determinar o uso da força no plano internacional", o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

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