Governo brasileiro evita falar em 'golpe'

Um dos interlocutores mais próximos da presidente Dilma Rousseff, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, considerou ontem "inusitado" o impeachment de Fernando Lugo. Carvalho, porém, evitou usar a palavra "golpe" para referir-se à queda do ex-presidente do Paraguai.

RAFAEL MORAES MOURA , BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2012 | 03h05

Conforme anunciado no domingo pela chancelaria argentina, o Paraguai foi suspenso da cúpula do Mercosul em Mendoza. A presidente Dilma Rousseff reuniu-se ontem com o chanceler Antonio Patriota e com o ministro da Defesa Celso Amorim para debater o caso.

"O governo brasileiro já manifestou o protesto, a nossa discordância pelo fato de não ser respeitado o principio fundamental em qualquer julgamento, que é a defesa ampla. De fato, você mudar o presidente de um país em um período de 30 horas é inusitado. Há uma insurgência de todos os países contra essa questão, mas acho que agora a presidente e os outros países em conjunto, com maturidade, tomarão uma posição", afirmou Carvalho.

Questionado sobre se a saída de Lugo foi um golpe, o ministro evitou o termo. "Não quero adjetivar, o governo brasileiro manifestou protesto contra o processo. A gente tem de tomar cuidado nessa hora até por respeito ao outro governo."

O ministro defendeu as discussões no âmbito do Mercosul e da Unasul para construir um consenso sobre a questão paraguaia. "Para nós, é muito importante valorizar o Mercosul e a Unasul e trabalharmos em conjunto com nossos vizinhos. Tentamos evitar qualquer medida que não seja construída em consenso com outros países."

Democracia. Para Carvalho, a crise no Paraguai vai na contramão do histórico recente da América Latina, que trilha um caminho democrático. "Nossa grande alegria nos últimos tempos é o fato de termos superado, na América Latina, aquela tragédia dos regimes totalitários", afirmou Carvalho.

"Esperava-se um caminho em uma outra perspectiva, de aprofundamento da democracia, mas não de restrição ao direito democrático de defesa, como foi o caso do Paraguai. Por isso, nossa estranheza e perplexidade", disse.

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