André Dusek/AE
André Dusek/AE

Governo brasileiro já estuda reforço das tropas no Haiti

Atualmente, as forças de paz que atuam na missão da ONU país contam com sete mil soldados brasileiros

ADRIANA FERNANDES, Agencia Estado

16 de janeiro de 2010 | 14h35

Após o governo dos EUA ter anunciado um reforço de sua operação no Haiti para até 10 mil homens e de assumir o controle do aeroporto de Porto Príncipe, o Brasil já estuda o envio de novas tropas ao País. Hoje, o subchefe de Comando e Controle do Estado Maior de Defesa do Brasil, Paulo Zuccaro, admitiu, em entrevista coletiva concedida há pouco no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, que o governo brasileiro está analisando a possibilidade de reforço da Força Brasileira no Haiti após o terremoto que devastou o país nesta semana. Atualmente, as forças de paz que atuam no país contam com sete mil soldados brasileiros.

Reação internacional 

link Obama anuncia fundo coordenado por Bush e Clinton

linkPara analistas, Obama tenta superar lições do Katrina

Ontem, o Presidente dos EUA, Barack Obama, autorizou o reforço da operação norte-americana no Haiti para até 10 mil soldados. A decisão causou mal-estar com o governo brasileiro ao sugerir que os EUA poderão controlar de fato as ações de resgate e segurança no Haiti, apesar de o controle de direito ser das forças da ONU chefiadas pelo Brasil.

Acompanhado do subsecretário-geral de América do Sul do Itamaraty, embaixador Antonio Simões, e do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Jorge Félix, Zuccaro afirmou ainda que, tão logo seja possível, o Ministério da Defesa também irá fazer a troca de contingente dos militares que estão na missão de paz no Haiti. Ele não informou, no entanto, quando isso ocorrerá, explicando que o terremoto ocorreu em meio ao período de troca do 11º para o 12º contingente.

VEJA TAMBÉM:
video Assista a análises da tragédia
mais imagens As imagens do desastre
blog Blog: Gustavo Chacra, de Porto Príncipe
especialEntenda o terremoto
especialInfográfico: tragédia e destruição
especialCronologia: morte no caminho da ONU
lista Leia tudo que já foi publicado

Os representantes do governo brasileiro tentaram amenizar o mal-estar criado após os EUA terem assumido o controle do aeroporto na capital haitiana e decidido enviar 10 mil militares ao país após o terremoto.

O general Felix destacou que é preciso diferenciar o trabalho do Batalhão Militar do Brasil, que tem uma missão de paz no Haiti com suas atribuições e funções definidas pela ONU, do trabalho de auxílio humanitário que está sendo feito pelo governo brasileiro no país.

"Temos uma missão de paz, e o Batalhão tem um mandato da Organização das Nações Unidas, com atribuições perfeitamente definidas. O Batalhão não pode se afastar das suas funções. Uma coisa é esse trabalho, e outra é o auxílio humanitário", disse Felix.

Ele confirmou as dificuldades de desembarque no aeroporto de Porto Príncipe, mas informou que já foi estabelecida uma espécie de ponte aérea com o Haiti. Hoje, segundo o general, duas aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) com água, alimentos, medicamentos e um hospital de campanha seguiram para o Haiti com desembarque autorizado. Além disso, um memorando de entendimento foi assinado ontem (15) com o governo haitiano e com a Minustah, que é a Missão para Estabilização da ONU no Haiti, para organizar a segurança das operações no aeroporto de Porto Príncipe, o que deverá facilitar essa ponte aérea.

 

 

Tudo o que sabemos sobre:
Haititerremototropas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.