Governo brasileiro não espera impactos da Argentina

O governo brasileiro não espera grandes impactos da crise argentina nos indicadores do Brasil, pelo menos nesse primeiro momento. Segundo integrantes da equipe econômica, o ponto principal é a forma como será encaminhada a questão da paridade da moeda local com o dólar. A primeira análise é que o presidente provisório, Adolfo Rodríguez Saá, prepara o terreno para mudança do regime cambial, que tende a ser flutuante. Mas a ruptura total com o modelo atual só é esperada para depois das eleições presidenciais marcadas para março. "Desdobramentos são difíceis de serem antecipados, mas o impacto inicial é relativamente pequeno. As consequências econômicas já estão precificadas. Aparentemente, o mercado diferencia o Brasil da Argentina mas isso depende do cenário. As coisas ainda podem ficar mais complicadas por lá", afirmou a fonte. O risco maior é que a situação argentina provoque uma retração no fluxo de capitais para toda América Latina. Esse temor, por enquanto, não vem se verificando em relação ao Brasil que superou este ano a previsão do governo de receber US$ 19 bilhões em investimentos estrangeiros diretos. No entanto, os analistas de mercado já começam a ficar receosos com o tom populista do governo provisório argentina que pode contaminar outras economias. Para Edgar Amador, especialista para América Latina da consultoria norte-americana Stone & McCarthy, países como Peru, Colômbia e Venezuela, que enfrentam sérias dificuldade em conciliar medidas neoliberais que impõe restrições a gastos públicos com crescimento econômico, podem se sentir tentadas a seguir o mesmo caminho. "Existe a tentação para retomar a agenda do populismo, o que é muito perigoso para a região como um todo", destacou Amador. Segundo ele, o Brasil está em melhores condições porque tem dado claros sinais de comprometimento com ajuste fiscal mas uma opção populista pode afetar o risco da região. Mesmo estando dissociado da Argentina nesse primeiro momento, o economista acredita que o Brasil poderá ver a sua moeda desvalorizar ainda mais quando a Argentina deixar o câmbio flutuar. "O real e o peso deverão entrar num período de desvalorização competitiva. O que ajudou o Brasil a se recuperar rapidamente após a mudança cambial de 1999 foi o fato de a Argentina ter um câmbio fixo", completou.Leia o especial

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