Alexandre Meneghini/AP
Alexandre Meneghini/AP

Governo brasileiro pede bloqueio de investimentos líbios no país

Bloqueio foi pedido à Justiça Federal, em São Paulo, com base na Resolução 1.970, da ONU

Rui Nogueira e Lisandra Paraguassu, Brasília,

02 Setembro 2011 | 19h44

Atualizado às 20h28

 

BRASÍLIA - O governo brasileiro pediu na tarde desta sexta-feira, 2, o bloqueio dos investimentos líbios no Brasil. O bloqueio foi pedido à Justiça Federal, em São Paulo, com base na Resolução 1.970, da Organização das Nações Unidas (ONU).

 

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Com a ajuda do Banco Central (BC), a Advocacia Geral da União (AGU) localizou para o bloqueio os investimentos do Banco Central Líbio no Brasil. O BC líbio é o maior investidor de uma empresa chamada Corporação Bancária Árabe (Arab Banking Corporation - ABC).

 

Essa corporação é a acionista majoritária na instituição financeira brasileira chamada Banco ABC Brasil – que tem uma corretora de valores mobiliários. Até o início da noite, a Justiça Federal ainda não havia distribuído o processo com o pedido da AGU.

 

BC: 'Cumprimento de resoluções internacionais'

 

O Banco ABC Brasil é um banco múltiplo habilitado a operar nas carteiras Comercial, de Investimentos, Financeira, Crédito Imobiliário e Câmbio, contando ainda com uma agência nas Ilhas Cayman. Tem sede na av. Juscelino Kubitschek em São Paulo e funciona como um banco múltiplo, com operações como banco comercial, de investimento, financeira, crédito imobiliário e câmbio. Sob o controle do ABC Brasil há uma distribuidora de títulos e valores imobiliários e uma empresa de administração de serviços.

 

 

O BC brasileiro disse que apenas cumpre as resoluções internacionais acatadas pelo governo, procedimento semelhante ao adotado nos casos envolvendo bens e investimentos atingidos pela resolução da ONU. Também não sabe ainda – até porque a Justiça Federal ainda não se manifestou – se o bloqueio vai impedir o funcionamento do banco.

 

Bin Laden e Saddam Hussein

 

O Banco Central do Brasil informa que sempre colabora com o fornecimento de informações nos casos em que há sanções internacionais que contam com a colaboração do governo brasileiro. Nesses casos, o BC fornece as informações necessárias para as investigações e executa eventuais sanções. Esse tipo de procedimento aconteceu, por exemplo, nas investigações e sanções relacionadas a Osama bin Laden e Saddam Hussein.

 

O BC, porém, não confirmou se o bloqueio recai sobre o Banco ABC Brasil, controlado pelo Arab Banking Corporation (ABC). A página desse controlador árabe na internet, no entanto, diz que a instituição foi fundada em 1980 e tem como maiores acionistas o Banco Central da Líbia e a Autoridade de Investimentos do Kwait. O BC brasileiro também não soube informar se um eventual bloqueio dos ativos do acionista líbio poderia impedir o funcionamento da subsidiária brasileira.

'Relacionamento internacional do mundo árabe'

Focado no segmento corporativo – em especial nas empresas de médio porte, o ABC Brasil é uma instituição especializada no “relacionamento internacional do mundo árabe, em especial as relações e projetos de investimento originários ou dirigidos a essa região”, segundo a página na internet.

 

Entre as operações mais realizadas pela instituição estão a intermediação financeira em operações de análise de riscos de crédito e estruturação de ofertas no mercado de capitais. O ABC possui rede com pouco mais de 20 agências no Brasil, em especial nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

 

A reportagem do estadão.com.br procurou representantes do ABC Brasil na sede da instituição na capital paulista e alguns executivos do banco, mas nennhum deles foi encontrado.

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