Ronald Zak/AP
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Governo brasileiro saúda acordo sobre programa nuclear iraniano

Nota divulgada pelo Itamaraty diz que o Brasil sempre apoiou os esforços diplomáticos 'destinados a assegurar a natureza exclusivamente pacífica' do programa

O Estado de S. Paulo

14 Julho 2015 | 15h48

O governo brasileiro saudou nesta terça-feira, 14, o acordo alcançado entre o Irã e o P5+1 e "a vontade política, a persitência e a determinação dos negociadores ao longo do processo". O grupo, formado pelos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia e China - mais a Alemanha, com a mediação da União Europeia, anunciaram hoje, em Viena, a conclusão de um acordo abrangente com Teerã sobre seu programa nuclear. 

Em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o governo lembrou que o Brasil sempre apoiou os esforços diplomáticos "destinados a assegurar a natureza exclusivamente pacífica do programa nuclear iraniano e a normalização das relações do Irã com a comunidade internacional". O comunicado do Itamaraty lembrou a participação do País na negociação da Declaração de Teerã de 2010. 

Em maio de 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula e o ex-primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan assinaram acordo com o governo iraniano que obrigaria Teerã entregar 1,2 mil quilos de urânio de baixo enriquecimento para ser armazenado na Turquia. 

O acordo, promovido por Lula, cumpria as metas exigidas pelo presidente americano Barack Obama. No entanto, depois de anunciado o entendimento com Teerã, o governo americano recuou e denunciou o acordo como uma interferência. A avaliação do então chanceler Celso Amorim era de que o governo americano ainda achava que poderia fazer o Irã capitular apenas com sanções, o que não aconteceu. No mês seguinte, os americanos aprovaram a Resolução 1.929 no Conselho de Segurança da ONU, com uma série de sanções. Dos 15 membros do Conselho, Brasil e Turquia foram os únicos que votaram contra a proposta.

O comunicado divulgado hoje afirma que o acerto em Viena "evidencia, uma vez mais, a eficácia da diplomacia e da negociação como os instrumentos capazes de construir uma paz verdadeiramente sustentável". "O governo brasileiro faz votos de que o êxito alcançado em Viena contribua significativamente para o início de uma nova e produtiva fase nas relações entre o Irã e as demais partes do acordo, bem como para a redução de conflitos e tensões, em benefício de toda a comunidade internacional", diz o texto. "Como sempre, o Brasil está pronto e disposto a colaborar nesse sentido." 

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