Dylan Martinez / Reuters
Dylan Martinez / Reuters

Governo britânico adia votação de novo projeto de lei sobre Brexit

Londres não consegue chegar a um consenso sobre a sua saída da União Europeia

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2019 | 07h45

LONDRES - O governo britânico adiou nesta quinta-feira, 23, a quarta votação no Parlamento de seu novo projeto de lei sobre o Brexit, inicialmente prevista para a primeira semana de junho, após as críticas de muitos conservadores às concessões feitas pela primeira-ministra Theresa May.

A votação sobre o projeto de lei não foi incluída no programa legislativo anunciado nesta quinta aos deputados. "Nós informaremos a Câmara sobre a publicação e a introdução do projeto de Lei sobre o Tratado de Retirada após o recesso parlamentar", previsto até 4 de junho, declarou o representante do governo Mark Spencer.

A nova proposta de May, anunciada na terça-feira e detalhada no Parlamento um dia depois, inclui a possibilidade de permitir aos deputados votarem sobre a eventualidade de organizar um segundo referendo sobre o Brexit.

Também inclui uma votação dos legisladores sobre uma eventual união alfandegária temporária com a UE e garantias sobre o direito dos trabalhadores e a proteção do meio ambiente, retomando algumas das reivindicações do opositor Partido Trabalhista.

As mudanças no novo texto apresentado pela primeira-ministra não foram suficientes para convencer o líder trabalhista, Jeremy Corbyn, que considerou-as mal integradas e sem garantias. 

"Pode ser que a retórica tenha mudado, mas ela não cumpriu o acordo", acrescentou. "É pouco mais do que uma versão revestida de seu acordo rejeitado três vezes", disse o líder ainda na quarta-feira.

Além de decepcionar a esquerda, a proposta provocou revolta entre os eurocéticos do Partido Conservador de May. Como consequência, a ministra para Relações com o Parlamento, Andrea Leadsom, uma das principais colaboradoras da premiê, renunciou na quarta-feira à noite.

"Houve compromissos desagradáveis ao longo de todo o caminho, mas sempre mantive meu apoio e minha lealdade", escreveu Andrea à chefe de Governo. "Parei de acreditar que nossa estratégia atende aos resultados do referendo de 2016 (após a apresentação do último plano)", apontou.

Muito debilitada, a chefe de Governo que chegou ao poder em 2016 após a renúncia de seu predecessor David Cameron em razão da vitória do Brexit em referendo, quer, a todo custo, conduzir a missão de tirar seu país da União Europeia antes de deixar o cargo, que tem os dias contados.

Rejeitado três vezes pela Câmara dos Deputados, o acordo de divórcio negociado por May durante dois anos com Bruxelas deveria ser votado novamente pelos legisladores em junho, desta vez na forma de um projeto de lei.

Após a consulta de junho de 2016, no qual 52% dos britânicos votaram a favor do Brexit, o Reino Unido deveria ter abandonado a União Europeia (UE) em 29 de março. Mas, diante da incapacidade de May de cumprir a agenda, os britânicos tiveram que participar das eleições para o Parlamento Europeu.

Fim da linha

Na quarta-feira, vários deputados declararam aos veículos de imprensa que May deveria renunciar o mais rápido possível e inclusive muitos estiveram ontem ausentes da sessão de perguntas à primeira-ministra.

"Quanto mais pode aguentar?", questionou nesta quinta-feira o Daily Express com uma fotografia de May em seu carro oficial e com lágrimas nos olhos. "May está prestes a partir após o fiasco de Brexit", disse, por sua vez, o jornal The Sun. / AFP e EFE

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