Governo britânico apresenta pacote contra a prostituição

O governo britânico apresentou um projeto contra a prostituição que pretende combinar medidas repressivas contra os clientes a mais oportunidades para que as mulheres abandonem a atividade. A proposta inclui a denúncia e perda da carteira de motorista dos clientes. Além disso, introduz medidas de proteção para menores e autoriza bordéis de até três prostitutas, para garantir a segurança das mulheres.Segundo a secretária de Estado de Interior, Fiona Mactaggart, aumentar de um para três o número de profissionais que podem trabalhar legalmente em apartamentos particulares - uma delas seria "a ajudante ou recepcionista" - dará mais proteção e contribuirá para tirar outras meninas da rua, onde o perigo é maior."Em nenhum momento quero encorajar o comércio do corpo feminino, isso não seria adequado. No entanto, é evidente que as mulheres que trabalham sozinhas correm mais riscos, e isso não é algo que desaparecerá por si só", acrescentou. Além disso, o governo prevê tornar crime o fato de vagar pelas ruas em busca de clientes. As infratoras poderão ser enviadas a programas de reinserção social e, se for necessário, receberão ajuda para deixar as drogas e o álcool.As que quiserem deixar as ruas terão acesso a alojamento subvencionado, previdência social e tratamentos de reabilitação. Com as novas medidas, os clientes enfrentarão multas maiores que as atuais e os cafetões serão perseguidos, principalmente os que tentarem aliciar menores.As autoridades alertarão as mulheres sobre os clientes mais violentos, para que elas se mantenham afastadas deles.Este plano do governo, que causou reações das mais diversas, substitui um projeto anterior que legalizava zonas inteiras de prostituição, conhecidas como "distritos da luz vermelha", o que não foi bem recebido pela opinião pública. Carrie Mitchell, do Grupo Inglês de Prostitutas, que defende a descriminalização total da atividade, advertiu que as operações policiais e operações de "limpeza" criam um ambiente de tensão "que torna as ruas mais perigosas para as mulheres".

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