Governo britânico desmente execução de soldados

O secretário britânico para as Forças Armadas, Adam Ingram, pediu hoje desculpas públicas após as declarações do premier britânico Tony Blair, que afirmou em Washingtron que os dois soldados britânicos que estavam desaparecidos haviam sido "executados" pelo Iraque. "Não houve nenhuma intenção de ferir as famílias com esses comentários", disse Ingram. "Acreditávamos que tivessem sido executados, mas parece que não é verdade", acrescentou. As declarações de Blair foram contraditórias em relação à participação de falecimento enviada pela Marinha britânica aos familiares dos soldados Luke Sapper Allsop, de 24 anos, e de Simon Cullingworth, de 36 anos, ambos pertencentes ao esquadrão de Engenharia da Marinha Real."Após a informação que nos chegou, tudo indicava que os dois soldados haviam sido executados; mas, se houve algum mal-entendido devido à linguagem empregada, pedimos desculpas públicas", afirmou o secretário.Ingram acrescentou que "nunca foi intenção do primeiro-ministro ofender os sentimentos dos familiares dos soldados mortos. Blair só queria explicar a brutalidade do regime de Saddam". Os comentários do mandatário inglês em Washington foram prontamente negados pelas autoridades iraquianas. O ministro da Informação Mohamad Saeed al-Sahaf declarou à televisão de Abu Dhabi que Blair "mentiu à população" a respeito dos dois soldados. "Não foram executados e isto é uma mentira a mais do premier inglês", declarou al-Sahaf. A rede de televisão Al-Jazira transmitiu no domingo passado imagens dos dois soldados, que estavam desaparecidos desde sábado. Após as controvertidas declarações de Blair, o porta-voz do premier admitiu que "não há evidência concreta que possa determinar que havia sido uma execução a causa da morte dos soldados". Por sua vez, a família de Sapper Allsop expressou hoje "muita indignação" com as declarações de Blair, "porque usou as mortes dos jovens como exemplo da brutalidade do regime de Saddam Hussein". "O coronel (do esquadrão) de Luke nos havia dito que ele não havia sido executado e não entendemos como as pessoas podem mentir, especialmente nosso primeiro-ministro", declarou Nina Allsopp ao jornal Daily Mirror, que em sua edição de hoje usou a primeira página para dar conta do escândalo protagonizado por Blair. Veja o especial :

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